
Tagliaferro diz que 'estaria morto' caso denunciasse Moraes antes
Nesta quarta-feira (3), em entrevista ao portal Contexto Metrópoles, o ex-assessor de Alexandre de Moraes, Eduardo Tagliaferro, afirmou que "estaria morto" se tivesse denunciado o ministro anteriormente. Ele era responsável pela apuração, investigação e elaboração de relatórios solicitados pelo magistrado e seu gabinete.
Questionado pelo jornalista Paulo Capelli sobre o motivo de não ter levado suas denúncias à corregedoria, Tagliaferro disse:
"Para quem eu iria denunciar? Alexandre de Moraes? Para algum órgão abaixo? Corregedoria de onde? Supremo Tribunal Federal? Fazendo o que estou fazendo agora, nada acontece. Na verdade, se eu tivesse agido antes, hoje eu não estaria aqui denunciando. Eu estaria morto".
O ex-assessor também se mostrou preocupado com a falta de mudanças mesmo após sua oitiva, realizada na terça-feira (2), quando foi ouvido pelo Congresso Nacional em audiência da Comissão de Segurança Pública por videoconferência.

Em entrevista recente à Revista Oeste, Tagliaferro, que se mudou para a Itália, afirmou que não pretende retornar ao Brasil por medo de possíveis represálias e citou que o ministro do STF poderia arquitetar um plano contra sua vida:
"Sei quem é Moraes.(...) E sei que eu estando ai é para calar, inclusive pode até fazer um simulado e tirar a minha vida, porque ele não quer que eu fale".
Anteriormente, o ministro Alexandre de Moraes solicitou a extradição de Tagliaferro, denunciado pela Procuradoria Geral da República por ações que comprometeram a legitimidade do processo eleitoral e obstruíram investigações sobre atos antidemocráticos.
Resposta de Moraes
O gabinete de Moraes nega as acusações do ex-assessor sobre supostas adulterações em relatórios técnicos, que configurariam uma "fraude processual gravíssima" segundo Tagliaferro. Em nota divulgada à imprensa, a assessoria do magistrado afirma que "todos os procedimentos de investigação foram realizados de forma regular" e estão "devidamente documentados". Segundo o juiz, os relatórios "simplesmente descreviam as postagens ilícitas realizadas nas redes sociais, de maneira objetiva, em virtude de estarem diretamente ligadas as investigações de milícias digitais.
