O presidente da Rússia, Vladimir Putin, citou o Brasil durante coletiva de imprensa nesta quarta-feira (3), ao criticar a imposição de sanções internacionais contra parceiros de Moscou.
Na ocasião, lembrou que, embora houvesse um limite fixado até 1º de agosto para a aplicação de medidas restritivas, sanções adicionais foram impostas contra o Brasil em 6 de agosto. Segundo Putin, a sobretaxa de 50% imposta a produtos brasileiros está relacionada à política interna.
"Há um problema lá [no Brasil], exatamente lá, um problema nos alinhamentos políticos internos, inclusive o que diz respeito às relações entre as atuais autoridades e o ex-presidente Bolsonaro. O que a Ucrânia tem a ver com isso? Nada", afirmou Putin.
Anteriormente, autoridades norte-americanas sugeriram que países como Índia, Brasil e China poderiam sofrer novas tarifas por comprarem petróleo russo. As declarações ocorreram após Washington impor uma tarifa de 50% a Nova Delhi sob essa justificativa.
O presidente foi questionado sobre o 19º pacote de sanções da União Europeia contra a Rússia e sobre ameaças a sócios comerciais de Moscou. Putin declarou "sinceramente" considerar que o conflito ucraniano serve apenas como pretexto para interferência ocidental nas relações da Rússia com países em desenvolvimento.
Solução para conflitos comerciais
O presidente também comparou desequilíbrios comerciais, citando diferenças significativas entre Estados Unidos e países como China e Índia. Contudo, ressaltou não haver tal disparidade no caso das relações comerciais entre EUA-Brasil.
Putin acrescentou que as divergências econômicas devem ser tratadas por meio de negociações, dando como exemplo o diálogo promovido por Moscou com parceiros internacionais. O mandatário defendeu o respeito aos processos políticos internos de cada país, lembrando que muitos já enfrentaram o colonialismo e hoje buscam soluções próprias.
"Da mesma maneira que a era colonial acabou, hoje é impossível dialogar neste tom com estes parceiros", afirmou, demonstrando expectativa de que os diálogos econômicos internacionais retornem à normalidade.