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Pyongyang aponta hipocrisia de Seul enquanto país negocia acordo de reprocessamento nuclear com EUA

Ideia de Seoul é produzir energia com o material já usado em usinas nucleares, mas Washington tem leis restritivas sobre o enriquecimento de materiais do tipo em acordo firmado entre os dois países.
Pyongyang aponta hipocrisia de Seul enquanto país negocia acordo de reprocessamento nuclear com EUAKorean Central News Agency/Korea News Service Gettyimages.ru / Chip Somodevilla

A imprensa oficial da República Popular Democrática da Coreia teceu duras críticas ao presidente sul-coreano, Lee Jae Myung, através de um comunicado publicado na quinta-feira (28). A publicação classifica o político como um "hipócrita (...) maníaco por confronto", e reitera que o arsenal nuclear de Pyongyang é uma "escolha inevitável diante de ameaças externas".

No mesmo dia, após reunião entre Myung e o presidente Donald Trump, Seul e Washington concordaram em iniciar discussões sobre o reprocessamento de combustível nuclear, conforme revelado pelo chanceler sul-coreano, Cho Hyun, citado pela agência Reuters.

Cho destacou que a Coreia do Sul, com 26 usinas nucleares, depende da importação contínua de combustível. Ele afirmou que o país considera crucial desenvolver a capacidade de reprocessar material usado e produzir seu próprio suprimento, o que exigiria revisar o acordo nuclear com os EUA ou buscar alternativas dentro do mesmo tratado.

muito significativo termos decidido iniciar as discussões nessa direção", afirmou Cho na ocasião.

Atualmente, a Coreia do Sul só pode reprocessar combustível usado com a autorização norte-americana, já que o material pode servir à fabricação de armas com potencial nuclear.

A eventual mudança do acordo representaria uma alteração significativa na política de não proliferação dos Estados Unidos, que busca restringir o acesso a esse tipo de tecnologia. Cho reiterou que o objetivo de Seul é voltado para necessidades industriais e ambientais, não para armamento.

EUA evitam comentar 

O Departamento de Estado norte-americano evitou comentar se o acordo pode ser revisto. Em resposta à agência de notícias, limitou-se a reafirmar que os Estados Unidos mantêm uma política restringir o processamento nuclear.

"Os Estados Unidos mantêm há muito tempo a política de limitar a disseminação de capacidades de enriquecimento e reprocessamento no mundo e de buscar os mais altos padrões de não proliferação em todos os acordos do tipo 123", disse uma fonte.

Os acordos, previstos na Lei de Energia Atômica dos EUA, permitem cooperação nuclear civil, mas estabelecem limites claros, incluindo restrições ao enriquecimento de urânio. Ainda de acordo com a agência, pesquisas recentes indicam que até 75% da população sul-coreana é favorável ao desenvolvimento de um arsenal próprio, em meio a dúvidas sobre a confiança nas garantias de segurança oferecidas pelos EUA.