Zakharova comenta as 'garantias de segurança' que Ocidente propõe à Ucrânia

A porta-voz afirmou que a militarização de Kiev e acordos bilaterais com países ocidentais aumentariam o risco de conflito e consolidariam o papel da Ucrânia como um agente provocador.

As garantias de segurança oferecidas pelo Ocidente são parciais e têm como objetivo a contenção da Rússia, afirmou nesta sexta-feira (29) a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova.

Entre as propostas mencionadas pela mídia ocidental estão o envio de "tropas de paz" para a Ucrânia e o reforço da presença militar da OTAN, que também patrulharia o território ucraniano. Zakharova afirma que o Ocidente considera militarizar ainda mais Kiev e firmar acordos bilaterais de segurança.

Segundo a porta-voz, essas medidas "são projetadas com o objetivo óbvio de conter a Rússia", enquanto o Ocidente estaria "buscando atrair o regime de Kiev para a órbita da OTAN".

A porta-voz afirmou que tais ações violariam o status neutro e não nuclear da Ucrânia, estabelecido em 1991, contrariam "o princípio da indivisibilidade da segurança" e "consolidam o papel de Kiev como provocador estratégico nas fronteiras da Rússia".

Para Zakharova, isso "aumenta o risco de a Aliança ser arrastada para um conflito armado".

Ela destacou ainda que "fornecer garantias de segurança à Ucrânia não é uma condição", mas "o resultado de uma solução pacífica baseada na eliminação das causas profundas da crise".

Entre essas condições, listou a desmilitarização, a desnazificação, o status de neutralidade, não nuclear e não alinhado, o "reconhecimento das realidades territoriais", a garantia dos direitos da população russa e russófona e "o fim da perseguição à Igreja Ortodoxa canônica".