Notícias

China descarta proposta de Trump para negociar cortes em seu arsenal nuclear

''A China segue uma política de 'não primeiro uso' de armas nucleares e uma estratégia nuclear voltada para a autodefesa'', observou Pequim.
China descarta proposta de Trump para negociar cortes em seu arsenal nuclearGettyimages.ru / Johannes Neudecker

Guo Jiakun, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, descartou nesta quarta-feira (27), em coletiva de imprensa em Pequim, a possibilidade de participar de negociações sobre redução de armas nucleares propostas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

O representante argumentou que "o país que detém o maior arsenal nuclear do mundo deve cumprir de forma séria sua responsabilidade especial e primordial de desarmamento nuclear" e que não é "razoável nem realista" exigir que a China participe dessas tratativas.

Segundo Jiakun, a capacidade nuclear chinesa "não está no mesmo nível da dos Estados Unidos" e segue princípios distintos, voltados para autodefesa. Ele destacou que o governo de Pequim adota uma política de "não primeiro uso" de armas nucleares, mantém seu arsenal no patamar mínimo necessário para a segurança nacional e "nunca participa de corrida armamentista com ninguém".

O representante acrescentou ainda que a posição da China "contribui para a paz mundial" e reiterou que cabe às potências nucleares com maiores arsenais avançar de forma substancial no processo de desarmamento.

Relembre:

Trump declarou na terça-feira (26), durante entrevista a repórteres antes de se reunir com o presidente sul-coreano Lee Jae Myung, que seu governo está tentando, junto à Rússia e à China, alcançar a ''desnuclearização".

"Não podemos deixar que as armas nucleares proliferem. Temos que acabar com as armas nucleares. O poder é muito grande", acrescentou.

No dia anterior, Trump havia revelado que discutiu a redução de armas nucleares com o presidente russo Vladimir Putin durante sua reunião no Alasca:

''Estamos falando sobre limitar o [arsenal] nuclear, vamos incluir a China nisso. Nós temos a maior quantidade, a Rússia tem a segunda maior, e a China a terceira. Mas a China está bem atrás, embora vá nos alcançar em cinco anos'', enfatizou. Moscou não comentou as declarações de Trump.

  • De acordo com o Instituto Internacional de Pesquisa para a Paz de Estocolmo (SIPRI), a Rússia possui cerca de 2.591 ogivas em armazenamento e 1.718 em operação, enquanto os EUA têm 1.930 e 1.770, respectivamente. O arsenal da China é estimado em 576 ogivas, das quais apenas 24 estão implantadas. O Reino Unido e a França mantêm, respectivamente, 120 e 280 ogivas em operação.