O Exército israelense afirmou nesta terça-feira (26) que o ataque ao hospital Nasser, em Khan Yunis, na Faixa de Gaza, visava desativar uma câmera usada por combatentes do Hamas.
A ofensiva, segundo o próprio IDF, deixou ao menos 20 mortos, incluindo jornalistas, e foi classificada como uma ação para neutralizar uma "ameaça visual" contra suas tropas.
Contudo, a justificativa apresentada pelas Forças de Defesa de Israel foi contestada pelo Euro-Med Human Rights Monitor (Monitor Euromediterrânico de Direitos Humanos, em português).
A organização afirma que a câmera destruída durante o ataque pertencia ao fotógrafo da agência Reuters, Hussam Al-Masri, morto no primeiro bombardeio contra o hospital.
"Verificamos que a câmera era usada por Al-Masri em seu trabalho jornalístico", afirmou o diretor do Euro-Med, Ramy Abdu, que classificou as alegações do IDF como "falsas e fabricadas".
Israel declarou que o equipamento havia sido instalado pelo Hamas no hospital, e que sua presença comprovava o uso militar da infraestrutura médica. Segundo a nota oficial, o bombardeio foi conduzido por tropas da Brigada Golani, como parte de uma operação para eliminar pontos de observação usados por grupos armados palestinos.
O exército também divulgou os nomes de seis pessoas que teriam sido mortas na ação, identificadas como integrantes de facções armadas. Entre elas, dois nomes que, segundo a ONG, morreram antes do ataque ao hospital: Omar Kamal Shahada Abu Teim e Muhammad Ahmad Salem Abu Hadaf.
Um terceiro nome divulgado, Imad Abd al-Hakim Ali al-Shaer, foi descrito como motorista de caminhão de bombeiros que atuava em evacuações sob autorização do próprio exército israelense.
A alegação de que uma câmera, supostamente usada por combatentes, justificaria um ataque que resultou em dezenas de vítimas civis e jornalistas, foi considerada desproporcional por entidades de direitos humanos.
O uso de armamento de alta precisão para destruir um equipamento de filmagem, somado à divergência sobre a propriedade do objeto, aumentou a pressão internacional por uma investigação independente.
O chefe do Estado-Maior de Israel, Eyal Zamir, reconheceu os danos civis e ordenou a continuidade das apurações internas, incluindo o processo de autorização do ataque e o tipo de munição empregada.