
Israel diz ter matado 20 para destruir câmera que, segundo ONG, era da Reuters

O Exército israelense afirmou nesta terça-feira (26) que o ataque ao hospital Nasser, em Khan Yunis, na Faixa de Gaza, visava desativar uma câmera usada por combatentes do Hamas.
A ofensiva, segundo o próprio IDF, deixou ao menos 20 mortos, incluindo jornalistas, e foi classificada como uma ação para neutralizar uma "ameaça visual" contra suas tropas.
Contudo, a justificativa apresentada pelas Forças de Defesa de Israel foi contestada pelo Euro-Med Human Rights Monitor (Monitor Euromediterrânico de Direitos Humanos, em português).
A organização afirma que a câmera destruída durante o ataque pertencia ao fotógrafo da agência Reuters, Hussam Al-Masri, morto no primeiro bombardeio contra o hospital.
‼️Israel ataca a rescatistas que intentaban recuperar el cuerpo de un periodista fallecidoAl menos cuatro profesionales de la comunicación se encuentran entre las decenas de víctimas de un ataque contra un hospital en Gaza.https://t.co/5hgaRUdzvXpic.twitter.com/quU8R6rTj8
— Sepa Más (@Sepa_mass) August 25, 2025
"Verificamos que a câmera era usada por Al-Masri em seu trabalho jornalístico", afirmou o diretor do Euro-Med, Ramy Abdu, que classificou as alegações do IDF como "falsas e fabricadas".
Israel declarou que o equipamento havia sido instalado pelo Hamas no hospital, e que sua presença comprovava o uso militar da infraestrutura médica. Segundo a nota oficial, o bombardeio foi conduzido por tropas da Brigada Golani, como parte de uma operação para eliminar pontos de observação usados por grupos armados palestinos.
O exército também divulgou os nomes de seis pessoas que teriam sido mortas na ação, identificadas como integrantes de facções armadas. Entre elas, dois nomes que, segundo a ONG, morreram antes do ataque ao hospital: Omar Kamal Shahada Abu Teim e Muhammad Ahmad Salem Abu Hadaf.
Um terceiro nome divulgado, Imad Abd al-Hakim Ali al-Shaer, foi descrito como motorista de caminhão de bombeiros que atuava em evacuações sob autorização do próprio exército israelense.
A alegação de que uma câmera, supostamente usada por combatentes, justificaria um ataque que resultou em dezenas de vítimas civis e jornalistas, foi considerada desproporcional por entidades de direitos humanos.

O uso de armamento de alta precisão para destruir um equipamento de filmagem, somado à divergência sobre a propriedade do objeto, aumentou a pressão internacional por uma investigação independente.
O chefe do Estado-Maior de Israel, Eyal Zamir, reconheceu os danos civis e ordenou a continuidade das apurações internas, incluindo o processo de autorização do ataque e o tipo de munição empregada.
