Vieira: Governo segue 'inabalável' para negociar com EUA, mas interferência judicial é inaceitável

O chanceler brasileiro ressaltou que as negociações comerciais entre Brasília e Washington devem ser feitas "com base em dados concretos e na realidade dos fatos".

O ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, participou nesta terça-feira (26) do evento "O Novo Cenário Global e o Papel do Setor Privado nas Relações Brasil-EUA", em São Paulo. Na ocasião, reiterou a postura dialógica de Brasília com Washington, porém garantiu que "não há possibilidade de qualquer negociação entre os dois países que envolva interferência em temas judiciais".

Segundo o ministro, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva "permanece inabalável no propósito de encontrar solução mutuamente satisfatória para as questões econômica comerciais que envolvem os EUA", após o país norte-americano impor uma tarifa de até 50% a produtos brasileiros.

Contudo, ressaltou que o diálogo entre os governos deve ser feito "com base em dados concretos e na realidade dos fatos", citando dados do comércio bilateral e questionando as acusações dos EUA sobre supostas práticas comerciais discriminatórias por parte do Brasil.

Nesse sentido, Vieira denunciou que as medidas econômicas teriam sido adotadas por "razões políticas", relacionadas ao processo judicial do ex-presidente Jair Bolsonaro, réu por uma suposta tentativa de golpe de Estado. O chanceler declarou que a questão "configura tema interno e soberano do Brasil", restrito ao âmbito Judiciário e sem "qualquer possibilidade de interferência da parte do Poder Executivo".

"Seguiremos resistindo a essas pressões inauditas, ao mesmo tempo em que insistiremos no respeito às nossas instituições e à nossa soberania", enfatizou o ministro.

ENTENDA O AUMENTO DAS TENSÕES COMERCIAIS ENTRE BRASIL E EUA EM NOSSO ARTIGO.