O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sugeriu nesta terça-feira (26), em uma reunião ministerial com a presença do secretário da Saúde Robert F. Kennedy, que o aumento nos diagnósticos de autismo pode estar ligado a uma causa artificial, citando a hipótese de medicamentos ou outros fatores externos.
"Tem que haver algo artificial causando isso, quero dizer, uma droga ou algo assim. E eu sei que você [Kennedy] está olhando muito atentamente para diferentes coisas, e espero que possa apresentar isso o quanto antes", declarou.
Ele destacou a elevação das taxas de diagnóstico, sobretudo entre meninos: "Era 1 em 10 mil e agora é 1 em 30, 31 ou 34, ou 12 se for um menino. Você consegue imaginar? 1 em 12. Isso para um menino. A cada 12,5. Nem dá para acreditar que possa ser isso", disse.
Nesse contexto, Kennedy afirmou, sem antecipar as supostas revelações, que sua pasta apresentará em setembro um relatório apontando intervenções que ''estão claramente, quase com certeza, causando autismo''.
O que dizem os cientistas?
Uma pesquisa publicada pelo jornal científico Environmental Health aponta que a utilização por gestantes do paracetamol, analgésico utilizado para dores de cabeça e resfriado, pode aumentar o risco para Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividad (TDAH) e autismo.
"Em última análise, os dados sugerem fortes evidências de que o uso pré-natal de paracetamol aumenta o risco de TDAH e autismo em crianças", escreveram os cientistas.
Segundo um outro estudo divulgado em maio pelo Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA (CDC), cerca de 1 em cada 31 crianças de 8 anos foi diagnosticada com Transtorno do Espectro Autista (TEA).
Especialistas da área da saúde citados pela imprensa dos EUA, no entanto, atribuem o aumento no número de casos à melhoria na detecção do autismo desde que o diagnóstico foi desenvolvido, lembrando que os critérios foram ampliados ao longo dos anos.
''As taxas de autismo sem deficiência intelectual estão aumentando mais rapidamente do que os diagnósticos de autismo com deficiência intelectual, o que mostra que é esse grupo — que teria passado despercebido no passado — que representa a maior parte do aumento nos diagnósticos'', observou Zoe Gross, diretora da Autistic Self Advocacy Network, ao jornal The Hill.