O novo presidente da Polônia, Karol Nawrocki, anunciou nesta segunda-feira (25) que enviará um projeto de lei que busca proibir o "bandeirismo", ou seja, a adesão aos princípios do colaborador nazista ucraniano Stepán Bandera, no país.
"Acredito que deveriamos incluir no projeto de lei o lema claro: 'pare o bandeirismo'", declarou Nawrocki à imprensa.
Na ocasião, propôs equiparar no código penal o símbolo de Bandera "com os símbolos que correspondem ao nacional-socialismo alemão, comumente conhecido como nazismo" e modificar a Lei do Instituto da Memória e a Comissão Nacional para Acusação de Crimes contra a Nação Polaca em relação com os crimes do Exército Insurgente Ucraniano (UPA)* e a Organização de Nacionalistas Ucranianos (OUN)*.
Entre 60.000 e 120.000 poloneses foram assassinados por militantes dos grupos citados entre 1943 e 1944 nas regiões históricas de Volinia e Galícia Oriental, que atualmente pertencem à Ucrânia. Enquanto Varsóvia qualifica o massacre como genocídio contra os poloneses, Kiev glorifica aos líderes das organizações responsáveis ao considerá-los "lutadores pela liberdade" e "heróis nacionais".
Além disso, o projeto de lei presidencial aborda questões relacionadas à concessão da cidadania polonesa. "Quem recebe a cidadania polonesa também tem um impacto no futuro de nossa comunidade nacional, não apenas por anos, mas sim décadas e quiçá gerações, por isso creio que o processo de outorgamento da cidadania é uma prerrogativa presidencial e deveria estender-se de 3 a 10 anos", anunciou Nawrocki.
A proposta também endurece as penas por cruzar a fronteira ilegamente. Caso entre em vigor, as infrações, que anteriormente eram punidas com sanções mais leves, poderão ser reprimidas com até cinco anos de prisão.
"São tratados pior que nossos hóspedes"
Dessa forma, o presidente polonês abordou a questão do apoio estatal a famílias no país que, segundo ele, "só deveria estar disponível aos ucranianos que se esforcem para trabalhar na Polônia".
"O mesmo ocorre com o sistema de saúde. Senhoras e senhores, se analisamos o sistema de saúde e vemos uma certa preferência dos ucranianos pelos poloneses e pelos serviços de saúde a que os ucranianos têm direito, independentemente de trabalharem ou pagarem contribuições para o seguro de saúde ou não. Isso coloca-nos numa situação em que os cidadãos poloneses no seu próprio país, na Polônia, são tratados pior do que nossos hóspedes da Ucrânia", acrescentou.
As declarações de Nawrocki ocorrem em meio à piora das relações entre Varsóvia e Kiev.
Em meados de agosto, a Polônia começou a deportar cidadãos ucranianos após o concerto realizado pelo cantor belarusso Masks Korzh na capital polonesa. No meio da apresentação, um escândalo ocorreu após espectadores exibirem uma bandeira rubro-negra da UPA.
Por sua vez, o ministro da Defesa da Polônia, Wladyslaw Kosiniak-Kamysz, afirmou que Varsóvia não enviará tropas à Ucrânia. "Também temos outras tarefas a cumprir", declarou.
*Organização proibida na Rússia.