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Netanyahu classifica como 'farsa' fotos de crianças morrendo de fome em Gaza

O primeiro-ministro israelense afirmou que as crianças sofrem de "paralisia cerebral ou outras doenças congênitas".
Netanyahu classifica como 'farsa' fotos de crianças morrendo de fome em GazaGettyimages.ru / Moiz Salhi

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, descartou em uma entrevista recente os crescentes relatos sobre crianças morrendo de fome em Gaza, afirmando que as fotos de crianças desnutridas são falsas.

"É muito difícil lutar contra o engano, as mentiras. As fotos de crianças famintas mostram crianças com paralisia cerebral ou outras doenças congênitas que as deixam emaciadas. E, é claro, Israel é acusado de matar crianças de fome, da mesma forma que na Idade Média os judeus eram acusados de matar crianças cristãs por seu sangue", declarou Netanyahu.

"Então, o que pode ser feito contra a mentira que dá dez voltas ao mundo antes que a verdade tenha a oportunidade de emergir?", perguntou o líder israelense, ressaltando que "é preciso encurtar a guerra o mais rápido possível". "E, francamente, também temos que fazer algo com os algoritmos e as redes sociais. Este é um grande desafio", acrescentou.

De acordo com suas palavras, os judeus vêm "lutando e perdendo a guerra de propaganda há cerca de 2.500 anos". 'O que muda agora é que estamos ganhando a guerra terrestre", afirmou Netanyahu, destacando que "quanto mais rápido ganharmos, mais rápido a guerra de propaganda se dissipará". "Essa é a mudança", concluiu.

Mais de 500.000 pessoas sofrem condições catastróficas

Entretanto, a ONU divulgou nesta sexta-feira um relatório histórico, confirmando pela primeira vez desde o início do conflito a existência de uma fome generalizada em Gaza. De acordo com o documento, mais de 500.000 pessoas — aproximadamente um terço da população — sofrem condições "catastróficas" caracterizadas por fome, pobreza extrema e morte. A este número somam-se 1,07 milhões de pessoas (54%) em nível de "emergência" e 396.000 (20%) em situação de “crise”.

O relatório projeta que, se a tendência atual se mantiver, até junho de 2026, pelo menos 132.000 crianças menores de 5 anos sofrerão de desnutrição aguda, duplicando as estimativas de maio. Além disso, mais de 55.000 mulheres grávidas ou lactantes precisam de assistência alimentar urgente devido à desnutrição crítica.