Nova missão internacional com destino a Gaza terá brasileiros entre os participantes

Ação busca abrir corredor humanitário para o enclave palestino e tem respaldo de leis internacionais, dizem entidades.

Com ativistas brasileiros a bordo, a nova missão da Flotilha da Liberdade está programada para zarpar em direção a Gaza nos próximos dias, com o objetivo de levar ajuda humanitária ao território palestino, que sofre com escassez extrema de alimentos, água e medicamentos. As informações foram divulgadas pela Agência Brasil neste sábado (23).

A primeira embarcação partirá de Barcelona em 31 de agosto. Outras embarcações da flotilha sairão no dia 4 de setembro de portos como Túnis, na Tunísia, além de outros locais ainda não confirmados.

A chegada ao território palestino é prevista para ocorrer em torno do dia 13 de setembro.

Segundo informações da Freedom Flotilla Brasil e do Global Movement to Gaza Brasil, entre 8 e 15 brasileiros estarão presentes na missão, que reúne ativistas de ao menos 40 países. O grupo espera romper o bloqueio ao território, imposto por Israel, e abrir um corredor humanitário.

"Nossos corações se solidarizam com o sofrimento do povo Palestino que vive ao primeiro genocídio amplamente televisionado. São centenas de milhares de palestinos feridos ou assassinados, e outros milhões afetados pela inanição, doenças e falta de atendimento médico deliberadamente causados pelo regime sionista", afirmaram as organizações, em nota enviada à Agência Brasil.

O comunicado acrescenta: "Nós organizamos a nossa indignação para atuar onde nossos governos falham. Estamos navegando com a solidariedade dos povos contra a cumplicidade e a impunidade que reinam no Brasil e no mundo".

A missão tem como foco levar comida, água e medicamentos à população de Gaza e "romper, de maneira não violenta, o cerco ilegal imposto pelo regime de ocupação em Gaza, que limita ou proíbe o acesso de alimentos, água e medicamentos", segundo os organizadores.

A Flotilha da Liberdade alega respaldo legal para a operação com base em medidas provisórias da Corte Internacional de Justiça, que proíbem o bloqueio da entrada de ajuda humanitária em Gaza, bem como em resoluções do Conselho de Segurança da ONU e em normas internacionais de navegação, que impedem a interceptação de embarcações civis em águas internacionais.

Em junho, uma embarcação da Flotilha da Liberdade foi interceptada por Israel enquanto transportava ajuda humanitária. Doze tripulantes foram detidos em águas internacionais, entre eles o brasileiro Thiago Ávila.

Na ocasião, o Conselho Nacional de Direitos Humanos (CNDH) classificou a interceptação como crime de guerra e pediu ao governo brasileiro que suspendesse relações diplomáticas e comerciais com Tel Aviv.