
Chefe da inteligência militar dos EUA é demitido após relatório sobre Irã contrariar Trump
O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, demitiu nesta sexta-feira (22) o tenente-general Jeffrey Kruse, chefe da Agência de Inteligência de Defesa (DIA), após recentes ataques aéreos americanos no Irã, segundo informou a AP, citando duas fontes familiares com a decisão e um oficial da Casa Branca.
A saída de Kruse ocorreu dois meses após a DIA divulgar uma avaliação preliminar apontando que os ataques, realizados em junho, atrasaram o programa nuclear de Teerã em apenas alguns meses.
O relatório, amplamente repercutido pela imprensa americana, contradizia as declarações do presidente Donald Trump, que afirmava ter destruído completamente as instalações nucleares iranianas. A divergência gerou insatisfação do presidente e de parte de sua equipe.

Embora o Pentágono não tenha detalhado os motivos das demissões, democratas no Congresso alertaram para o precedente que a saída de Kruse pode criar na comunidade de inteligência.
"A demissão de mais um alto funcionário da segurança nacional evidencia o hábito perigoso do governo Trump de tratar a inteligência como teste de lealdade, em vez de ferramenta de proteção do país", afirmou o senador Mark Warner, da Virgínia, vice-presidente do Comitê de Inteligência do Senado.
Além de Kruse, o secretário de Defesa, Pete Hegseth, também anunciou a saída da vice-almirante Nancy Lacore, chefe da Reserva da Marinha, e do contra-almirante Milton Sands, oficial da unidade Navy SEAL responsável pelo Comando de Guerra Especial Naval, segundo informou outra autoridade dos Estados Unidos.
