Mais de 650 pinguins-de-Magalhães são encontrados sem vida na costa de São Paulo em apenas sete dias

O estado avançado de deterioração complica a apuração da causa das mortes; a migração e a relação com a atividade pesqueira estão entre as suspeitas.

O IPeC (Instituto de Pesquisas Cananéia) identificou em suas últimas observações na Ilha Comprida, localizada no sul do litoral paulista, mais de 650 pinguins-de-Magalhães (Spheniscus magellanicus) encalhados, todos já sem vida e em avançado estado de decomposição

Em declaração à Folha nesta sexta-feira (22), o IPEC informou que essa quantidade, considerada alta, foi registrada a partir de 15 de agosto.

Pela condição em que os animais foram encontrados, não é possível determinar a causa exata das mortes, mas o IPEC aponta que entre as possíveis explicações estão os impactos da migração em longas distâncias, dificuldades para encontrar alimento, parasitas, doenças infecciosas e a interação com pescadores.

A entidade alerta que se alguém perceber um pinguim ou outro animal marinho encalhado, não deve tocá-lo, oferecer alimento ou tentá-lo devolver ao mar, pois essas ações podem provocar mais estresse ou piorar a condição de saúde do animal.

A recomendação é entrar em contato de forma imediata com as autoridades ou equipes especializadas responsáveis.

Os pinguins-de-Magalhães

As fêmeas dessa espécie de pinguins costumam botar dois ovos entre outubro e novembro, com a maior parte deles se desenvolvendo de meados de novembro até o início de dezembro. Após a eclosão, os pais se revezam para alimentar os filhotes durante o período de três a quatro semanas.

Depois de um mês, ambos os pais saem juntos para buscar comida, deixando os filhotes sozinhos. É nessa fase que começam a se agrupar perto dos ninhos sem a supervisão dos adultos.

Os pinguins jovens entram no mar com cerca de três meses, permanecendo nele por cinco anos, retornando ao continente apenas para a troca de penas. 

Após esses longos anos no mar, eles retornam às suas colônias para dar início ao ciclo de reprodução. Embora não esteja classificada como ameaçada de extinção, a população dessa espécie tem enfrentado uma queda. Os principais fatores de risco incluem a poluição dos oceanos, a pesca excessiva e as consequências das mudanças climáticas nas suas rotas de migração e nas áreas onde se alimentam.