O presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, criticou duramente a movimentação militar dos Estados Unidos no sul do Mar do Caribe, próximo às águas venezuelanas, e acusou o país de ser "o Estado mais envolvido com o narcotráfico do mundo".
As declarações foram feitas após Washington enviar tropas para a região sob o pretexto de "enfrentar cartéis de droga", sem esclarecer se a operação respeita a soberania dos países da região.
"O deslocamento de unidades militares para o sul do Caribe, sob o comando do Comando Sul, supostamente envolve até 4 mil soldados e é apresentado como dissuasor sob o falso e desproporcional pretexto de combater cartéis de drogas. É isso que o Estado mais envolvido com o narcotráfico do mundo, os EUA, está dizendo e promovendo", disse Díaz-Canel na quarta-feira (20), durante cúpula de emergência da Aliança Bolivariana para os Povos da Nossa América (ALBA).
"Nova tentativa de recolonização”
Ele afirmou que a região enfrenta "tempos de enormes desafios e riscos excepcionais", evidenciados pela "ofensiva hegemônica e agressiva" dos EUA sob a justificativa de combater o narcotráfico internacional.
Segundo Díaz-Canel, os Estados Unidos parecem ignorar os limites do direito internacional, da Carta da ONU e de décadas de resoluções que proíbem coerção, ameaças e interferência nos assuntos internos de outros países.
O presidente cubano a denuncia conjunta do que chamou de "nova tentativa de colonização" na Comunidade dos Estados Latino-Americanos e Caribenhos (CELAC) e apoiou a realização de reunião de chanceleres para tratar do tema.