Tribunal alemão permite que memorial de Buchenwald proíba entrada de visitantes com lenço palestino

Decisão ocorre após pedido de mulher que queria usar o lenço em evento comemorativo.

Um tribunal da Alemanha decidiu nesta quarta-feira (20) que o memorial do campo de concentração de Buchenwald pode negar a entrada a visitantes que usem o lenço palestino keffiyeh, informou o The Times of Israel.

A decisão da Corte Administrativa superior da Turíngia foi tomada após uma mulher solicitar permissão para participar de um evento no local usando o lenço.

Segundo os juízes, o memorial agiu dentro de seus direitos ao recusar a entrada, já que a visitante pretendia "enviar uma mensagem política contra o que ela via como o apoio unilateral do memorial às políticas do governo israelense". Para o tribunal, essa atitude poderia "colocar em risco a sensação de segurança de muitos judeus, especialmente neste local".

O campo de Buchenwald, próximo a Weimar, recebeu cerca de 340 mil prisioneiros, entre eles judeus, ciganos, homossexuais e soldados soviéticos. Estima-se que 56 mil tenham morrido no local, vítimas de execuções, fome ou trabalhos forçados. Outros 20 mil perderam a vida no anexo Mittelbau-Dora.

O diretor do memorial, Jens-Christian Wagner, ressaltou que o keffiyeh "não é, por si só, um símbolo proibido". No entanto, quando associado a elementos que relativizem os crimes nazistas, os visitantes podem ser convidados a retirá-lo.

Nos últimos meses, o local enfrentou críticas após a divulgação de um documento interno que associava o lenço palestino a tentativas de "destruir o Estado de Israel". A Alemanha, ainda marcada pelo assassinato de seis milhões de judeus no Holocausto, mantém forte aliança com Israel, apesar das recentes críticas de Berlim a ações do governo israelense na Faixa de Gaza.