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Cuba protesta contra presença militar dos EUA no sul do Caribe

Havana denunciou ameaça à paz regional diante de operação norte-americana sob pretexto de combate ao narcotráfico.
Cuba protesta contra presença militar dos EUA no sul do CaribeGettyimages.ru / Laurie Chamberlain

Cuba criticou nesta segunda-feira (18) o envio de mais de 4.500 militares dos Estados Unidos para águas do sul do Caribe, apontando que a operação coloca em risco a segurança e a soberania da América Latina.

O governo cubano classificou a ação como parte de "uma agenda política mais ampla que socava a paz e a soberania na região".

O ministro das Relações Exteriores de Cuba, Bruno Rodríguez Parrilla, afirmou em publicação na rede X que a região deve ser respeitada como Zona de Paz, e rejeitou qualquer medida que comprometa a estabilidade dos países latino-americanos.

"Luta contra o narcotráfico"

De acordo com informações da Marinha norte-americana, a operação inclui o Grupo Anfíbio Iwo Jima, a 22ª Unidade Expedicionária de Fuzileiros Navais e os navios USS Iwo Jima, USS San Antonio e USS Fort Lauderdale. Também participam da missão um submarino de ataque nuclear, aviões de reconhecimento P8 Poseidon, vários destróieres e um cruzador com mísseis guiados.

Washington justifica o envio das tropas como parte da luta contra o narcotráfico. Entretanto, dados indicam que 90% da droga que segue da América do Sul para os Estados Unidos passa pelo oceano Pacífico, e não pelo Caribe.

A chancelaria cubana destacou que a intensificação da presença militar norte-americana na região tem sido recorrente desde a administração de Donald Trump. Em março deste ano, Havana já havia condenado a entrada do destróier USS Gravely no Golfo do México, alegando que a medida ameaçava a estabilidade no continente.

Na ocasião, Rodríguez Parrilla alertou que a crescente militarização não enfrenta as causas do problema, relacionadas ao aumento do consumo de drogas dentro dos Estados Unidos, conhecido por ser o maior mercado mundial de entorpecentes.