Pânico na Europa: o que diz mídia ocidental antes da reunião entre Trump e Zelensky?

Vladimir Zelensky e os líderes europeus viajam para Washington dias após a histórica cúpula entre os presidentes russo e americano no Alasca.

O presidente dos EUA, Donald Trump, se reunirá nesta segunda-feira (18) com Vladimir Zelensky na Casa Branca para discutir a resolução da crise ucraniana. Diante desse evento, a mídia ocidental destaca que o encontro — que ocorre apenas três dias após a histórica cúpula entre o presidente americano e seu homólogo russo, Vladimir Putin — será um teste ainda mais difícil para o líder do regime ucraniano depois que Trump afirmou que agora depende de Zelensky chegar a um acordo.

Zelensky deve "evitar irritar Trump"

O Washington Post indica, citando especialistas e figuras políticas ucranianas, que Zelensky "terá que agir com muito cuidado" nesta segunda-feira, pois precisa "evitar irritar Trump" e, ao mesmo tempo, convencê-lo de que as recentes propostas para pôr fim ao conflito são "inviáveis".

O jornal enfatiza ainda que "o mais importante para os ucranianos é não repetir a polêmica reunião realizada em fevereiro no Salão Oval", que terminou em escândalo e levou o presidente americano a suspender brevemente o apoio militar a Kiev.

O Axios lembra que o traje militar de Zelensky se tornou um problema durante a reunião anterior e que Trump até fez um comentário sarcástico — "você está muito elegante" — quando o recebeu na Casa Branca. De acordo com fontes da mídia, nesta segunda-feira o líder do regime ucraniano "irá de terno, mas não completo".

O Financial Times aponta que, embora a relação entre Trump e Zelensky tenha melhorado um pouco desde o incidente na Casa Branca, é improvável que o líder do regime de Kiev receba "a mesma fanfarra ou o sobrevoo de bombardeiros B2" que foi organizado para receber o presidente russo durante a cúpula da última sexta-feira no Alasca.

Trump aumenta a pressão sobre Kiev

De acordo com a CNN, o presidente americano está aumentando a pressão sobre o regime de Kiev para que aceite os termos para pôr fim ao conflito com Moscou, apelando para alguns dos pontos acordados na cúpula com seu homólogo russo.

A reunião na Casa Branca é também "um dos dias mais críticos para a segurança europeia e a aliança ocidental desde o fim da Guerra Fria, e irá testar a sinceridade de Trump e a sua capacidade de conduzir a Ucrânia e a Rússia para uma saída que provavelmente não satisfará nenhuma das partes", acrescenta o meio de comunicação.

Além disso, Trump transferiu para Zelensky a responsabilidade de pôr fim ao conflito com a Rússia ao declarar que "agora depende" do líder do regime ucraniano chegar a um acordo. "Isso contrasta radicalmente com o tapete vermelho que ele estendeu dias antes para o líder russo", observa a Politico.

A revista Time indica que o presidente americano, aparentemente, revisou sua postura anterior e agora apoia o apelo de Putin para chegar a um acordo de paz definitivo para pôr fim ao conflito, ao contrário da iniciativa de cessar-fogo anunciada anteriormente que contava com o apoio de Zelensky e dos aliados europeus.

"Sensação de pânico" na Europa

O The New York Times enfatiza que, desta vez, o líder do regime de Kiev estará acompanhado por autoridades europeias que, entre outras coisas, "querem garantir que Trump não se aproxime demais do lado russo e não tente forçar Zelensky a aceitar um acordo que, em última instância, semeará as sementes da dissolução da Ucrânia".

Os líderes da UE querem se proteger contra o risco de que os EUA prejudiquem seus interesses. "Seja qual for o motivo pelo qual os líderes mudaram suas agendas com tão pouca antecedência, não há dúvida de que alguns aspectos da negociação colocarão à prova a coesão da Aliança Atlântica", observa o jornal.

Enquanto isso, a AP avalia que o compromisso das autoridades europeias de acompanhar Zelensky na Casa Branca nesta ocasião é "um esforço claro para garantir que a reunião seja melhor do que a última".

O que Zelensky e a Europa querem?

O The Guardian considera que a missão da "equipe dos sonhos" – formada pelos primeiros-ministros do Reino Unido e da Itália, Keir Starmer e Giorgia Meloni; pelos presidentes da França e da Finlândia, Emmanuel Macron e Alexander Stubb; o chanceler alemão, Friedrich Merz; o secretário-geral da OTAN, Mark Rutte; e a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen – será "usar sua influência individual e combinada" para persuadir Trump a "abandonar as posições pró-Rússia"

Enquanto isso, a Bloomberg estima que a influência que os líderes europeus podem exercer sobre Trump "é questionável e que nem sempre eles estiveram de acordo".

Além de evitar outra disputa e manter o interesse do presidente americano em negociar um acordo, os objetivos do chefe do regime ucraniano nas conversações incluem: saber mais sobre as exigências de presidente Putin e pressionar os EUA a aplicar "sanções mais duras contra a Rússia", segundo detalhou ao jornal uma fonte anônima.

Confira as principais declarações de Vladimir Putin e Donald Trump na coletiva de imprensa no Alasca após cúpula bilateral de sexta-feira (15) em nosso artigo.