Várias cidades da Sérvia voltaram neste sábado (16) a ser palco de novos protestos contra o governo, convocados sob o lema "A Sérvia não pode se acalmar".
Assim como em manifestações anteriores, os participantes se concentraram nas imediações das sedes do governante Partido Progressista Sérvio (SNS).
Em Nova Belgrado, manifestantes tentaram alcançar a sede local do SNS, onde lançaram artefatos pirotécnicos contra agentes de segurança, que reagiram com gás lacrimogêneo para dispersar a multidão.
Em Novi Sad, manifestantes atiraram tinta e pedras contra o escritório do Movimento Socialista. Já na sede do Partido Radical Sérvio (SRS), arrancaram a bandeira da legenda e atearam fogo.
Também em Zemun e Valjevo, manifestantes invadiram sedes do SRS e do SNS. Houve relatos de pedras arremessadas contra o prédio do SRS, que sofreu danos com paus e teve suas paredes pichadas com spray vermelho.
Em Valjevo, a sede do SNS foi incendiada, e manifestantes atacaram com paus e pirotecnia a entrada da administração municipal.
Um grupo de homens mascarados também quebrou vidros, lançou artefatos pirotécnicos e incendiou instalações do Partido Progressista Sérvio.
O presidente da Sérvia, Aleksandar Vucic, acusou na quinta-feira (14) os países ocidentais de tentarem provocar uma "revolução de cores" no país.
"Estamos lutando contra a poderosa máquina dos países ocidentais que querem quebrar a espinha dorsal da Sérvia com uma revolução de cores", afirmou. Segundo ele, grandes quantias de dinheiro estariam sendo investidas nas manifestações, que em alguns casos se tornaram violentas.
Os acontecimentos da semana fazem parte de uma onda de descontentamento que vem atingindo a Sérvia nos últimos meses, iniciada após o colapso fatal de uma marquise de concreto em uma estação ferroviária de Novi Sad, em novembro de 2024.
As manifestações da oposição em junho começaram depois que o governo de Aleksandar Vucic recusou um ultimato de grupos estudantis que exigiam a dissolução do Parlamento. Os manifestantes ameaçaram com "desobediência civil" caso o governo não atendesse às exigências.
As autoridades sérvias têm descrito repetidamente os protestos como uma tentativa de organizar uma "revolução de cores" instigada por forças estrangeiras.