
Cientistas descobrem em gatos uma possível chave para estudar o Alzheimer

Um grupo de cientistas da Universidade de Edimburgo (Escócia) descobriu recentemente que os gatos sofrem de demência semelhante à doença de Alzheimer em humanos, o que pode ser a chave para o estudo dessa doença e o desenvolvimento de novos métodos de tratamento.
Para chegar a essa conclusão, os especialistas analisaram o cérebro de 25 gatos mortos que, durante a vida, apresentavam sintomas de demência, como confusão mental, distúrbios do sono e vocalização aumentada, semelhantes aos sintomas observados em pessoas com Alzheimer.
Os resultados do estudo foram publicados na última segunda-feira (11) na revista European Journal of Neuroscience.

No cérebro dos gatos pesquisados, foi encontrada uma acumulação de beta-amyloid, uma proteína tóxica característica dessa doença. Essa descoberta pode esclarecer como a proteína pode causar disfunção cognitiva e perda de memória em animais, além de servir como modelo para o estudo da demência em humanos.
O beta-amilóide impede o desenvolvimento normal das sinapses no cérebro, ou seja, a comunicação entre os neurônios, causando perda de memória e capacidade de raciocínio. Os pesquisadores descobriram que os astrócitos e a microglia "devoram" as sinapses afetadas, contribuindo para o desenvolvimento da demência.
Até agora, as pesquisas sobre a doença de Alzheimer baseiam-se em modelos de roedores geneticamente modificados, que não desenvolvem demência naturalmente, portanto, espera-se que a pesquisa com felinos ajude a desenvolver métodos de tratamento mais precisos para os seres humanos.
O Dr. Robert McGeachan, da Escola Real de Estudos Veterinários, e líder da pesquisa, afirma que essa descoberta "abre as portas para estudar se novos métodos promissores para o tratamento da doença de Alzheimer em humanos também podem ajudar" os animais de estimação.
