O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), anunciou nesta quarta-feira (13), durante cerimônia no Palácio do Planalto, que está organizando uma videoconferência entre os países do BRICS para discutir medidas que auxiliem as nações afetadas pelas tarifas impostas pelos Estados Unidos.
Lula comentou que dialogou sobre a medida norte-americana com a Rússia e a China, adiantando que irá conversar com a África do Sul, França e Alemanha "para eles se darem conta do que está acontecendo no mundo".
"E junto aos BRICS, nós vamos fazer uma teleconferência, que está sendo articulada, para a gente discutir, dentro dos BRICS, o que a gente pode fazer para melhorar a nossa relação entre todos os países que estão sendo afetados", declarou o presidente.
Ele ainda ressaltou a balança comercial entre o Brasil e países do BRICS, que soma 160 bilhões de dólares, "o dobro da que nós temos com os EUA", afirmou.
O presidente descartou, por enquanto, anunciar tarifas recíprocas aos Estados Unidos e ressaltou a importância de fortalecer a postura dos países do bloco diante da conjuntura econômica atual.
Visita à Índia
Além disso, Lula comunicou que pretende visitar a Índia em janeiro, acompanhado de pelo menos 500 empresários brasileiros, com o objetivo de ampliar a cooperação econômica entre os membros do BRICS.
Em sua fala, o presidente comparou as sanções impostas pelos EUA ao Brasil e à Índia, destacando o impacto sobre ambos os países
"A gente não merecia isto", disse ao se referir às sanções americanas contra o Brasil. "O que é grave é que não foi só conosco, foi com muitos. Muita gente dizia que a Índia é muito pró-americana, mas eles taxaram a Índia em 50%", complementou.
Ataque ao multilateralismo
Segundo Lula, as tarifas são impostas porque fazem parte de um debate político-ideológico e não de uma simples discussão econômico-comercial.
"Existe por trás disso uma necessidade muito grande de destruir uma coisa chamada multilateralismo que é o que permitiu que o mundo tivesse um comércio mais equilibrado, uma coisa mais harmônica feita através da OMC, que começou a perder valor quando os EUA saiu dela em 2008 por causa das eleições do Obama", acrescentou.
Nesse sentido, ele afirmou que a postura do atual governo norte-americano desconsidera mais de 200 anos de relações diplomáticas. Lula ressaltou que o Brasil não busca conflitos com os Estados Unidos, mas exige que sua soberania seja respeitada.
"Se os Estados Unidos não quer comprar, vamos procurar outro país", reafirmou durante a assinatura de medida provisória que apoiará empresas brasileiras diante do tarifaço dos Estados Unidos.
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