Israel iniciou negociações com o Sudão do Sul com o objetivo de expulsar os palestinos que residem na Faixa de Gaza para o território africano, informou a agência AP nesta quarta-feira (13), citando seis fontes familiarizadas com o assunto. A iniciativa integraria um plano mais amplo para promover emigração em massa da região, que enfrenta destruição generalizada após quase dois anos de conflito armado.
As fontes não detalharam o estágio atual das negociações. Caso implementada, a medida envolveria a relocação de milhões de pessoas de uma zona em grave crise humanitária para outro território que também enfrenta desafios socioeconômicos significativos, intensificando preocupações relativas aos direitos humanos.
O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, por sua vez, declarou que busca implementar a proposta do presidente dos EUA, Donald Trump, de realocar parte da população de Gaza através do que Israel descreve como ''migração voluntária''. Como parte desse esforço, Tel Aviv teria apresentado propostas semelhantes a outras nações da África, além do Sudão do Sul."
''Acho que o correto, mesmo de acordo com as leis de guerra que conheço, é permitir que a população vá embora e depois atacar com todas as forças o inimigo que permanece lá'', afirmou o primeiro-ministro israelense, citado pela AP, sem mencionar especificamente o Sudão do Sul.
Oposição
Os planos são rejeitados pelos palestinos e condenados por diversas entidades de direitos humanos e grande parte da comunidade internacional, que as consideram um mecanismo de expulsão forçada incompatível com a lei internacional.
Entre as reações contrárias, destaca-se a do Egito, que se opõe decididamente aos planos de transferência em massa de palestinos para fora de Gaza, diante do temor de que medida desencadeie um fluxo de refugiados para seu território, agravando a instabilidade regional.
Dois funcionários egípcios contaram à AP que estão cientes das articulações que Israel vem efetivando há meses para conseguir algum país que aceite os palestinos que seriam eventualmente expulsos de Gaza, incluindo o Sudão do Sul. Ambos admitiram que Cairo pressiona Juba para que não ceda a Tel Aviv.
Tabuleiro em movimento
Apesar das reações contrárias, o Sudão do Sul poderia obter benefícios com este acordo, como o fortalecimento da cooperação militar com Israel e a aproximação com Trump, que meses atrás propôs desocupar o enclave e transformá-lo na ''Riviera do Oriente Médio'.
Segundo Joe Szlavik, fundador de uma empresa de lobby dos EUA que atua no Sudão do Sul, autoridades locais confirmaram as negociações. Ele afirma ainda que uma delegação israelense deve visitar o país em breve para avaliar a criação de campos para palestinos – custeados, provavelmente, por Tel Aviv. A data ainda não foi definida.
''O Sudão do Sul, com problemas econômicos, precisa de todos os aliados, ganhos financeiros e segurança diplomática que puder conseguir'', avaliou Peter Martell, jornalista e autor de um livro sobre o país. Nesse texto, lembrou que, durante décadas, a Mossad apoiou os sul-sudaneses, a guerra civil que travaram contra o governo de Cartum pela independência.