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Defesa de líder oposicionista da Moldávia condenada à prisão: 'Motivações políticas'

Yevgenia Gutsul, líder da região autônoma da Gagaúzia, "tem sido alvo de ataques políticos desde o início de seu mandato", declarou o sócio fundador da empresa jurídica WJ Avocats.
Defesa de líder oposicionista da Moldávia condenada à prisão:  'Motivações políticas'Sputnik / Rodion Proka

Yevgenia Gutsul, crítica ao governo pró-ocidental da Moldávia e líder da região autônoma da Gagaúzia, é "alvo de ataques políticos", afirmou na quarta-feira (13) William Julie, sócio fundador do escritório WJ Avocats, que presta serviços jurídicos à política.

"A Sra. Yevgenia Gutsul governa a Gagaúzia desde julho de 2023 após ter sido eleita democraticamente pelo povo da região. Desde o início sua postura foi de oposição ao governo da Moldávia, razão pela qual tem sido alvo de ataques políticos desde o começo de seu mandato", diz a mensagem na rede social LinkedIn.

Segundo William Julie, "o atual processo penal contra ela é mais um desses ataques, e tem motivações políticas, em uma tentativa de silenciar e afastar a Sra. Yevgenia Gutsul da cena política".

"Isso se reflete na forma e no conteúdo da sentença proferida em 5 de agosto pelo Tribunal de Chisinau, contra a qual seus advogados na Moldávia estão preparando um recurso com base, em particular, na falta de imparcialidade dos juízes e promotores envolvidos no caso", observou o advogado.

No mesmo contexto, ele advertiu que a equipe jurídica internacional de Gutsul, incluindo a WJ Avocats, "apresentará essas preocupações às jurisdições e entidades europeias e internacionais pertinentes, incluindo a ONU, para proteger seus direitos fundamentais e o Estado de Direito".

  • Yevgenia Gutsul foi condenada a 7 anos de prisão e a uma multa de 40 milhões de leus moldavos (2,3 milhões de dólares) sob acusações de irregularidades no financiamento do partido da oposição Shor. Sua equipe jurídica apresentou um recurso.
  • Em 14 de maio de 2023, Gutsul, candidata do partido Shor, foi eleita líder da região autônoma. Um mês depois, o Tribunal Constitucional da Moldávia declarou a sigla inconstitucional e iniciou uma revisão dos resultados eleitorais. A presidente Maia Sandu declarou então que o partido, supostamente "criado com base na corrupção e pela corrupção, representa um perigo para a ordem constitucional e a segurança do Estado".
  • Gutsul foi presa em 25 de março com a Promotoria a acusando de receber grandes quantias de dinheiro na Rússia entre 2019 e 2022 para financiar a campanha eleitoral do Shor nas eleições de 2023 da região autônoma.
  • Comentando a decisão, o porta-voz presidencial russo, Dmitry Peskov, a classificou como uma perseguição politicamente motivada. "Este é um exemplo de uma tentativa de exercer pressão flagrante, e de fato ilegítima, sobre oponentes políticos durante a campanha eleitoral", declarou. 
  • A Gagaúzia é uma região autônoma no sul da Moldávia tradicionalmente favorável à reaproximação com a Rússia, enquanto que o governo central em Chisinau proclamou seu caminho em direção à integração europeia.

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