Lideranças do Vale do Silício estão investindo ativamente na criação de uma geração "mais inteligente", utilizando métodos avançados de testes genéticos e seleção de embriões, conforme reportagem divulgada pelo jornal The Wall Street Journal (WSJ) na terça-feira (12).
De acordo com o jornal, empresas de TI cobram até US$ 50 mil por serviços de análise genética que avaliam o QI potencial de embriões, como parte de um processo mais amplo de seleção para fertilização in vitro.
Startups como Nucleus Genomics e Herasight oferecem testes genéticos de embriões com preços que variam de 6 mil a 50 mil dólares, prevendo não apenas os riscos de doenças, mas também o potencial nível de inteligência. A demanda por tais serviços está crescendo rapidamente.
"Trama de ficção científica"
A reportagem do WSJ mapeia os esforços de um casal de engenheiros de São Francisco, que criou um complexo sistema de pontuação para escolher o embrião "otimizado", levando em consideração riscos de doenças e o QI previsto. A filha deles foi concebida a partir de um embrião com o terceiro maior QI previsto, mas com a melhor pontuação total.
"É uma ótima trama de ficção científica: os ricos criam uma supercasta genética que toma o poder", ironizou Hank Greely, diretor do Centro de Direito e Ciências Biológicas da Universidade de Stanford, citado pelo jornal.
Já na visão de Benson Tilsen, cofundador do Berkeley Genomics Project, indivíduos com maior capacidade intelectual poderão descobrir formas de alinhar a IA aos valores humanos ou persuadir os demais a não desenvolvê-la de maneira alguma.