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Lula diz que Trump tem 'ciúme' de participação do Brasil no BRICS

Ao criticar o protecionismo norte-americano, presidente brasileiro voltou a defender a criação de uma moeda para o BRICS.
Lula diz que Trump tem 'ciúme' de participação do Brasil no BRICSFoto: Ricardo Stuckert / PR

Nesta terça-feira (12), durante entrevista ao jornalista Reinaldo Azevedo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que os Estados Unidos demonstram "um pouco de ciúmes" em relação à crescente participação do Brasil no BRICS.

"Eu acho que os Estados Unidos têm um pouco ciúme da participação do Brasil no BRICS. Porque da mesma forma que nós criamos o BRICS, nós criamos o G20", afirmou, ressaltando o papel da crise de 2008 nos EUA para o fortalecimento das organizações internacionais mencionadas.

Lula ressaltou que, na sua visão, o Brasil deveria estar aplicando tarifas sobre produtos norte-americanos, e não o contrário,citando um déficit comercial de US$ 400 bilhões com os Estados Unidos nos últimos 15 anos.

Moeda dos BRICS

O mandatário brasileiro defendeu a soberania dos países para escolherem com quais moedas realizar transações econômicas, sem serem obrigados a negociar exclusivamente em dólar.

"Não podemos ficar dependendo do dólar que é uma moeda de um único país que foi assumida como moeda do mundo. Temos direito de negociar, por que não posso negociar com a China com as moedas chinesa e brasileira?", argumentou o mandatário.

Lula voltou a defender a criação de uma moeda para que os países do BRICS realizem suas negociações.

"Não queremos mexer com dólar, é uma moeda importante, EUA têm a máquina que roda essa moeda. Mas podemos discutir nos BRICS a necessidade de uma moeda de comércio entre nós. Não recuso essa ideia porque preciso testá-la. Preciso de alguém para me convencer que eu estou errado", disse o presidente.

"É importante lembrar que, em 2004, fiz um acordo com a Argentina para que pudéssemos comercializar em reais e em pesos", exemplificou Lula.

  • Nesta terça-feira, Lula e o presidente chinês Xi Jinping conversaram por telefone sobre o BRICS e oportunidades de negócios. Segundo Pequim, Xi descreveu o bloco como uma "plataforma-chave para construir consenso no Sul Global" e defendeu que os países membros atuem juntos para proteger os direitos e interesses legítimos das nações em desenvolvimento, além de preservar as normas que regem as relações internacionais.

  • O mandatário chinês afirmou que a China está pronta para trabalhar com o Brasil no fortalecimento da coordenação entre os integrantes do BRICS e na ampliação dos resultados de cooperação mútua. Xi também reiterou apoio à posição brasileira na defesa de sua soberania nacional diante do unilateralismo e do protecionismo.

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