Baleias-azuis na costa da Califórnia emitem menos sons e indicam desequilíbrio ambiental

Em seis anos de pesquisa, foi observada uma redução de até 40% nas vocalizações das espécies de baleias analisadas.

Cientistas vêm observando um fenômeno preocupante com as baleias-azuis na costa da Califórnia: essas gigantes do oceano estão emitindo menos sons do que o habitual, um comportamento que tem despertado alertas sobre a saúde do ecossistema marinho. Um estudo publicado pela Public Library of Science em fevereiro de 2025 que monitorou os sons das baleias-azuis entre 2015 e 2021, registrou uma redução de até 40%  nas vocalizações na região da costa da Califórnia.

Esse silêncio atípico está relacionado a uma onda de calor marinha prolongada, conhecida como "The Blob", que elevou a temperatura da água em até 4,5°C. Esse aumento térmico afetou drasticamente a população de krill, o principal alimento das baleias-azuis. Com menos alimento disponível, as baleias precisam se deslocar por áreas maiores para se alimentar, o que reduz o tempo e a energia dedicados às comunicações sonoras.

Os pesquisadores monitoraram os cantos de três espécies de baleias - azul, fin e jubarte - no Ecossistema da Corrente da Califórnia (CCE), localizado no Oceano Pacífico Norte.

Diferentemente das baleias-azuis, as baleias-jubarte parecem estar se adaptando melhor às mudanças, pois se alimentam de peixes como sardinhas e anchovas, que apresentam uma dinâmica diferente em relação às mudanças climáticas.

 Sinal de alerta

O silêncio das baleias-azuis é visto pelos pesquisadores como um sinal de alerta ecológico que indica estresse ambiental. Essa mudança no comportamento pode impactar não apenas a reprodução da espécie, mas também a saúde geral dos oceanos.

"A ciência mostra que as mudanças climáticas estão impactando os oceanos", disse Dawn Barlow, ecologista da Universidade Estadual de Regon, em reportagem publicada pelo New York Post.

"Ouvir e aprender com esses lugares é essencial para o nosso futuro. Agora, mais do que nunca, é importante ouvir", complementou Barlow.