Nigéria volta a condenar plano 'inaceitável' de Trump e se recusa a receber imigrantes deportados

''Já temos problemas suficientes'', afirmou o ministro nigeriano em outra ocasião.

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores nigeriano, Kimiebi Ebienfa, reiterou a recusa de seu país em aceitar indivíduos deportados dos Estados Unidos. As informações foram publicadas pela imprensa local no sábado (9).

O representante afirmou que não está disposto a receber os migrantes e distanciou a Nigéria de nações como Ruanda, Essuatíni e Sudão do Sul, que firmaram acordos nessa direção.

Anteriormente, Yusuf Tuggar, ministro nigeriano das Relações Exteriores, havia se manifestado sobre o assunto:

"Será difícil para países como a Nigéria aceitar prisioneiros venezuelanos em nosso território. Já temos problemas suficientes, não podemos aceitar deportados venezuelanos na Nigéria, pelo amor de Deus. Já somos 230 milhões de pessoas", enfatizou Tuggar, citado pelo jornal Punch.

O ministro afirmou que Washington exerce ''pressão considerável'' sobre países africanos para aceitarem venezuelanos deportados, 'muitos egressos do sistema prisional'. Ele classificou o plano como ''inaceitável''.

Sem detalhar a natureza exata da pressão, observou que Washington já havia alterado suas regras de emissão de vistos. Desde junho, a maioria dos nigerianos que solicitam vistos não diplomáticos e de não-imigrante agora só pode obter um visto de entrada única, válido por três meses: um claro retrocesso na reciprocidade anteriormente praticada entre os dois países.

O governo Trump também ameaçou impor sanções sob a Seção 243(d) da Lei de Imigração e Nacionalidade, que autoriza a suspensão na emissão de vistos para países que se recusem a cooperar com suas práticas de deportação.

Em abril, o governo ameaçou o Sudão do Sul com a revogação de todos os vistos de seus cidadãos e com a proibição de novas emissões, devido à sua recusa inicial em aceitar seus próprios cidadãos deportados.

Essa política assumiu novas dimensões desde que a Suprema Corte dos EUA, em 23 de junho de 2025, validou legalmente a possibilidade de retorno de indivíduos a países diferentes de sua terra natal. Os EUA puderam, assim, enviar deportados para terceiros países quando seus países de origem se recusaram a aceitá-los de volta.

O exemplo de El Salvador ilustra essa estratégia: em março, Washington pagou US$ 5 milhões ao país para encarcerar mais de 250 venezuelanos acusados de participação em gangues em uma prisão de segurança máxima.

A abordagem americana de enviar deportados a terceiros países foi estendida à África, com o envio de cidadãos vietnamitas, jamaicanos e iemenitas para o Sudão do Sul e Eswatini, sob a alegação de que seus respectivos países se recusaram a permitir seu retorno.