NYT: Trump autoriza uso de força militar contra cartéis de drogas latino-americanos

A diretiva foi assinada em segredo e é unilateral, pois não foi acordada com nenhum governo.

O presidente dos EUA, Donald Trump, assinou secretamente uma diretiva permitindo que o Pentágono use as Forças Armadas para combater cartéis da América Latina, informou o The New York Times na sexta-feira (8).

Segundo a mídia, esta a decisão mais agressiva tomada pelo presidente desde que ele declarou os cartéis como organizações terroristas, visando acabar completamente com o tráfico de drogas, em particular o de fentanil.

De acordo com o veículo, a ordem secreta fornece uma base oficial para realizar operações militares diretas no mar e em solo estrangeiro contra os cartéis, o que acarreta em vários riscos legais que já estão sendo analisados pelo Exército.

Por exemplo, discute-se se pode ser considerado um "assassinato" o fato de as Forças Armadas dos EUA agirem fora de conflitos armados e matarem civis suspeitos de terem cometido crimes e que não representam uma ameaça iminente.

A mídia explicou que essa discussão se deve ao fato de que a nova diretiva de Trump visa que os militares capturem ou matem diretamente pessoas envolvidas no tráfico de drogas.

Limites legais

O veículo lembrou que desde que Trump assumiu pela segunda vez a presidência dos EUA em 20 de janeiro passado, o republicano já mobilizou a Guarda Nacional e tropas na ativa na fronteira com o México para conter o tráfico de drogas e de imigrantes, além de declarar como organizações terroristas os cartéis mexicanos e venezuelanos por considerar que representam uma ameaça à segurança nacional.

Os EUA já realizaram, segundo a mídia, operações militares em outros países relacionadas ao combate contra o narcotráfico e, em alguns casos, ultrapassaram os limites legais, mas estas sempre foram realizadas como parte de acordos para apoiar as autoridades locais.

Mas, neste caso, considera-se que os ataques militares seriam unilaterais e colocariam os militares dos EUA frente a organizações que contam com armamentos e financiamento sólidos. A longo prazo, isso fortaleceria a estratégia de Trump de usar o Exército de forma mais agressiva para consolidar a política de segurança.