Belarus não negocia com os norte-americanos pelas costas da Rússia, assegurou o presidente Alexander Lukashenko, em entrevista à revista norte-americana Time divulgada nesta sexta-feira (8).
Durante a entrevista, o correspondente Simon Shuster sugeriu que Washington, ao retomar o diálogo com Minsk, estaria tentando afastar Belarus de Moscou, ao que Lukashenko respondeu que isso é "o sonho de alguém".
O chefe de Estado belarusso rejeitou quaisquer especulações sobre possíveis acordos secretos com Washington. "Não fazemos acordos com os americanos pelas costas da Rússia", declarou, enfatizando que os países têm acordos entre si que são mutuamente respeitados.
Nesse sentido, ressaltou a solidez da aliança com Moscou, baseada em laços históricos e acordos jurídicos, apontando que os países mantêm relações estreitas nas áreas militar, técnico-militar e econômica.
"Atacar Belarus é atacar a Rússia"
Lukashenko afirmou que os dois países eslavos têm compromissos mútuos consolidados, chegando a classificar um ataque à Belarus "como um ataque à Rússia". "É exatamente assim que funciona conosco. Um ataque à Rússia é um ataque à Belarus. Por isso, temos relações muito estreitas. Ninguém pode rompê-las, especialmente os tagarelas da União Europeia", acrescentou.
Rejeição ao Ocidente
O chefe de Estado lembrou que, ainda na década de 1990, deixou claro ao investidor húngaro-estadunidense George Soros, em visita à Belarus, que o país não seguiria uma política pró-Ocidente. Desde então, Minsk tem seguido consistentemente esse princípio, rejeitando as tentativas dos EUA de influenciar a política do país.
"George, desculpe-me, mas não vou fazer política à maneira americana, não vou fazer isso", disparou Lukashenko na ocasião.