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China e Rússia registram recorde comercial em 2025, apesar das ameaças de Trump

O país asiático importa hoje cerca de 2 milhões de barris por dia de petróleo russo, equivalente a US$ 130 milhões/dia, calculou a Reuters.
China e Rússia registram recorde comercial em 2025, apesar das ameaças de TrumpCostfoto / Gettyimages.ru

O comércio bilateral entre China e Rússia atingiu, em julho, o maior nível registrado no ano, alcançando US$ 19,14 bilhões, publicou o jornal South China Morning Post, com base em dados da Administração Geral das Alfândegas da China. O valor representa alta de 8,7% em relação a junho, embora seja 2,8% menor que o registrado no mesmo mês de 2024.

As importações chinesas de produtos russos somaram US$ 10,1 bilhões, aumento de 4,02% na comparação anual. Esse desempenho ocorre em meio a tensões geopolíticas crescentes, impulsionadas pelas ameaças do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de aplicar tarifas punitivas de 25% à China, semelhantes às impostas recentemente à Índia, devido à continuidade das compras contínuas de petróleo russo.

Segundo a Reuters, a energia permanece como elemento central da parceria, com a Rússia consolidando-se, no ano passado, como a principal fornecedora de petróleo bruto para a China. Os embarques alcançaram um recorde de 108,5 milhões de toneladas, o equivalente a 19,6% das importações chinesas do produto.

A relação é favorecida tanto por oleodutos que ligam diretamente os campos russos ao território chinês quanto por remessas marítimas destinadas às refinarias.

Dados alfandegários indicam que a China recebe, atualmente, cerca de 2 milhões de barris diários de petróleo russo. A Reuters calcula que esse volume represente aproximadamente US$ 130 milhões por dia.

Informações mais detalhadas sobre o comércio de petróleo devem ser divulgadas pelas autoridades chinesas em 20 de agosto.

  • Trump anunciou uma tarifa extra de 25% sobre produtos indianos, como represália aos "grandes lucros" obtidos pelo país com a venda de petróleo bruto russo no "mercado aberto". Em resposta, Nova Delhi classificou as críticas como "injustas e irracionais", afirmando que as compras são uma "necessidade ditada pelas condições do mercado global".
  • Moscou também reagiu. O porta-voz presidencial Dmitry Peskov descreveu as exigências dos Estados Unidos à Índia como "ameaças" ilegítimas e reforçou que países soberanos têm o direito de escolher seus parceiros e métodos de cooperação econômica de acordo com seus próprios interesses.