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Trump: 'Vocês verão muitas sanções secundárias'

O presidente ameaçou impor novas medidas contra países que comprem petróleo russo.
Trump: 'Vocês verão muitas sanções secundárias'AP / Alex Brandon

O presidente dos EUA, Donald Trump, prometeu nesta quarta-feira (6) que irá impor novas sanções secundárias contra países que comprem petróleo russo. A ameaça ocorre após Washington anunciar uma tarifa adicional de 25% à Índia.

"Só se passaram oito horas. Veremos o que acontece nas próximas. Vocês verão muito mais. [...] Verão muitas sanções secundárias", afirmou o mandatário, respondendo à pergunta de uma jornalista sobre por que Trump não impos tarifas adicionais a todos os países que compram petróleo russo.

Nesse sentido, o presidente não descartou a imposição de tarifas adicionais a outros países, incluindo a China. "Poderia acontecer", sustentou.

Guerra tarifária

Trump intensificou sua retórica contra a Índia nesta semana. Na última segunda-feira (4), o presidente norte-americano ameaçou Nova Delhi com uma nova sobretaxa como punição aos "grandes lucros" indianos com a venda de petróleo bruto no "mercado aberto", enquanto acusou autoridades indianas de "não se preocuparem" pela perda de vidas no conflito ucraniano.

A Índia classificou as críticas como "injustas e irracionais" e defendeu a estratégia energética do país, afirmando que as compras de petróleo russo são uma "necessidade ditada pelas condições do mercado global". Enquanto isso, Moscou qualificou as exigências dos EUA à Índia como como "ameaças ilegítimas".

Nesta quarta-feira, o mandatário norte-americano assinou uma ordem executiva para impor uma tarifa adicional de 25% contra a Índia pela compra de petróleo bruto russo. As taxas adicionais foram qualificadas como "injusta, injustificada e irracional" pela chancelaria indiana, que assegurou que Nova Delhi tomará todas as medidas necessárias para proteger seus interesses nacionais.

Aliança estratégica com a Rússia

Em meio à ofensiva comercial norte-americana, Nova Delhi e Moscou reafirmaram sua aliança estratégica no âmbito metalúrgico e industrial, comunicou o Governo indiano após a 11º reunião do grupo de trabalho bilateral, realizada nesta quarta-feira na capital da Índia.

"Ambas as partes celebraram o fortalecimento da cooperação nos setores de alumínio, fertilizantes e transporte ferroviário, assim como a capacitação e transferência tecnológica para equipes do setor da mineração, exploração e gestão de resíduos industriais e domésticos", lê-se no comunicado.

Duplo padrão

Apesar do anúncio de Trump, dados indicam que os próprios EUA seguem adquirindo produtos russos. De acordo com o Firstpost, no ano passado, Washington importou da Rússia fertilizantes no valor de US$ 1,1 bilhão, paládio no valor de US$ 878 milhões, urânio no valor de US$ 624 milhões e peças e componentes de aeronaves no valor total de US$ 75 milhões.

No entanto, o presidente evitou responder sobre o assunto ao ser questionado por uma jornalista, que apontou as críticas do presidente à Índia por negociar com a Rússia, uma prática que, segundo Nova Delhi, Washington também realiza ao não ter cortado totalmente os laços comerciais com Moscou.

"A Índia afirma que os Estados Unidos importam urânio, produtos químicos e fertilizantes russos, ao mesmo tempo em que critica suas importações energéticas [da Índia]. Qual é a sua resposta?”, perguntou a jornalista em uma coletiva de imprensa na terça-feira (5). No entanto, Trump não explicou sua retórica dura contra o país asiático, limitando-se a responder: "Não sei nada sobre isso. Teria que verificar".