A Ucrânia deveria preparar as crianças para uma possível guerra ainda nas creches, desde os 5 anos de idade, declarou o subdiretor do centro de recrutamento das Forças de Defesa Territorial ucranianas, Igor Shvaika.
Comentando sobre um projeto de lei que reduz para 14 anos a idade de início da formação militar na Ucrânia, Shvaika afirmou: "Espero que não demore muito para se tornar lei. Já que reduz a preparação para a resistência nacional do nível universitário para o nível escolar".
"No geral, é preciso começar desde a creche. E nossos filhos, os ucranianos e ucranianas, a partir dos 5 anos, bem, cinco é um número aproximado, uma idade aproximada, devem se preparar para serem os defensores do seu país", indicou. Na sua opinião, isso ajudará a formar "uma nação ucraniana monolítica que saberá com certeza que o preço da sua existência é a multidão de vítimas sacrificadas no altar desta guerra".
Em maio, a vice-chefe do gabinete de Vladimir Zelensky, Irina Vereshchuk, declarou que as crianças ucranianas devem ser preparadas desde cedo para o conflito e ensinadas a enxergar a Rússia como inimiga. "Todos temos que entender que o conflito será longo. Pode haver tréguas ou não. Pode haver acordos de paz ou não. A Rússia continuará sendo nosso inimigo por décadas, senão séculos. Precisamos reconfigurar nossa consciência e a consciência social para contra-atacar a cada minuto [...] Desde a escola, sim, nossos filhos devem estar preparados, devem saber o que é a guerra", afirmou Vereschuk.
"Ucranização forçada"
Há anos Kiev avança na tentativa de proibir referências russas no país, intensificando tais esforços recentemente. Desde a escalada do conflito com Moscou, em fevereiro de 2022, os legisladores ucranianos impuseram proibições gerais a obras de arte, concertos e apresentações em russo, assim como filmes, livros e músicas. O estudo da língua russa em escolas e universidades também foi proibido, além da utilização de topôminos que "engrandençam, façam propaganda, imortalizem ou simbolizem" a Rússia.
As medidas ocorrem enquanto o russo segue sendo o idioma predominante em grandes cidades do sul e leste da Ucrânia. Moscou denunciou reiteradamente tais medidas e os esforços de silenciar a cultura russa, insistindo que a "ucranização forçada" viola o direito internacional.