Primeiro ministro japonês lança dúvidas sobre capacidade do país de cumprir acordo com EUA

De acordo com Shigeru Ishiba, é mais fácil chegar a um acordo do que garantir o seu cumprimento.

A implementação dos termos do acordo comercial entre EUA e Japão pode ser uma tarefa difícil, afirmou nesta segunda-feira (4) o primeiro-ministro japonês, Shigeru Ishiba.

"Alguns dizem que cumprir um acordo comercial é mais difícil do que assiná-lo. Peço humildemente o seu apoio contínuo nesta questão", disse Ishiba em resposta a perguntas no parlamento.

Segundo o acordo, Tóquio deverá investir US$ 550 bilhões na economia dos EUA, ao mesmo tempo em que importações japonesas serão tributadas com tarifas de 15%, e não de 25%, como havia sido prometido inicialmente.

No entanto, como observa a Bloomberg, os EUA ainda não reduziram as tarifas, o que afeta especialmente a indústria automobilística, que representa a maior parte das exportações japonesas para os EUA.

"Devemos primeiro dedicar todos os nossos esforços para reduzir adequadamente as tarifas automotivas, que estão mais intimamente relacionadas aos nossos interesses nacionais, e para que seja emitida uma ordem presidencial", disse Ishiba, acrescentando que reconhece a necessidade de uma reunião pessoal com Trump para garantir a implementação do acordo.

Ao falar sobre o plano de investimento no valor de US$ 550 bilhões, o primeiro-ministro japonês também mencionou que as decisões sobre os gastos são tomadas pelo setor privado e que o governo não tem autoridade para obrigar as empresas a assinar contratos.

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