Ninguém lê relatórios da ONU, aponta novo relatório da ONU

"O volume absurdo de reuniões e relatórios está levando o sistema – e todos nós – ao limite", reconheceu o secretário-geral da organização.

A maior parte dos mais de 1.000 relatórios produzidos anualmente pela ONU é pouco lida, de acordo com um estudo interno sobre como tornar seu trabalho mais "eficaz e coerente". O documento foi divulgado nos últimos dias, no âmbito do 80º aniversário da organização, que enfrenta crescentes desafios e questionamentos.

Em março, o secretário-geral da ONU, António Guterres, lançou a Força-Tarefa ONU80 – uma iniciativa de reforma para revisar como o Secretariado executa milhares de mandatos e reduzir a sobrecarga administrativa.

Conforme relatório divulgado nesta quinta-feira, o Secretariado publicou 1.100 relatórios no ano passado (aumento de 20% desde 1990) e deu suporte a 27.000 reuniões com 240 entidades.

"O volume absurdo de reuniões e relatórios está levando o sistema – e todos nós – ao limite", afirmou Guterres em briefing na sexta-feira (1).

Ainda não está claro quantas pessoas baixaram o último relatório sobre relatórios.

Crise de legitimidade

Fundada após a Segunda Guerra Mundial pela União Soviética, Estados Unidos, Reino Unido, França e China, a organização foi criada para evitar guerras e promover cooperação. Inicialmente, ela tinha 51 membros.

Atualmente, com 193 Estados-membros, a ONU enfrenta o que muitos especialistas chamam de "crise de legitimidade". Guterres rebate a noção, insistindo que "nossos valores nunca foram tão relevantes".

O presidente russo Vladimir Putin declarou, durante um encontro com Guterres na cúpula do BRICS no ano passado, que a ONU "deve se reformar para acompanhar as mudanças globais" e dar maior representação a países em desenvolvimento.

Os BRICS, aliás, mantêm há décadas a reforma na arquitetura da ONU como uma de suas principais bandeiras, exigindo que países como o Brasil e a Índia obtenham um peso proporcional à sua relevância em instituições como Conselho de Segurança e o Banco Mundial.