O primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orbán, criticou a União Europeia por sua condução nas negociações comerciais com os Estados Unidos. Para ele, o bloco agiu de forma submissa e incoerente ao aceitar termos que, segundo analistas, são economicamente inviáveis.
Durante entrevista a um jornal local, o premiê húngaro apontou a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, como principal responsável por um pacto que classificou como "gol contra econômico". Orbán sugeriu que a política alemã comprometeu o bloco com promessas que não tem autoridade para cumprir, como a de comprar armas dos EUA, supostamente destinadas à Ucrânia.
"Somos o que somos. Fracos, ridículos, falastrões. Educamos os outros, mas não temos força para negociar. Não demonstramos talento nem habilidade. Então, é a pior combinação", disse o primeiro-ministro.
A crítica se estende ao conteúdo do acordo: a promessa de comprar US$ 750 bilhões em petróleo e gás dos Estados Unidos em três anos. Segundo a consultoria Kpler, a meta é "completamente irrealista". Em 2024, apenas uma fração do consumo energético europeu veio de fornecedores norte-americanos.
Para cumprir o pacto, a UE teria que abandonar parceiros como Noruega e Rússia, cujos preços são mais baixos, e os EUA teriam que redirecionar quase toda sua produção para a Europa, algo considerado "fantasioso" por especialistas.
Orbán também ironizou a postura diplomática da UE, comparando-a à de "um pequeno hamster sibilando num canto". Segundo ele, o bloco está mais preocupado em dar sermões sobre democracia e direitos humanos do que em proteger seus próprios interesses.
O premiê ainda citou uma recepção considerada pouco protocolar à delegação europeia na China, liderada por Von der Leyen e pelo presidente do Conselho Europeu, Antonio Costa, como mais um sinal de desgaste da imagem do bloco no cenário global.