Em palestra inaugural na Universidade Estadual de Lagos (LASU), na Nigéria, o professor e linguista Tayo Ajayi defendeu uma cooperação estratégica entre acadêmicos brasileiros e africanos para fortalecer o estudo do legado linguístico e cultural da África no Brasil.
O apelo, divulgado recentemente pela Agência Nigeriana de Notícias (NAN), enfatiza a língua iorubá como o eixo central dessa ponte transatlântica.
"O objetivo é não perder as características da língua original iorubá em canções, cantos, 'orikis' [poesias da tradição oral] e conversas casuais, entre outros", declarou.
Ajayi destacou que o iorubá — falado no sudoeste da Nigéria e no Benim — se mantém vivo no Brasil especialmente nas práticas religiosas e manifestações culturais africanas. "Uma coisa é certa: das línguas africanas, o iorubá é a mais falada e a mais visível no Brasil hoje", afirmou.
Propostas concretas
O linguista também propôs medidas para a preservação do legado cultural africano no Brasil:
- Visitas de praticantes brasileiros de religiões de matrizes africanas à Nigéria;
- Criação de currículos de línguas africanas nos programas de bolsas de pós-graduação no exterior para estudantes brasileiros;
- Envio de professores da Nigéria ao Brasil para o ensino da língua e das tradições originais.
"Com esses esforços, acreditamos que, no futuro, o estudo de línguas africanas, como o iorubá, ocupará o seu devido lugar na consciência e na sociedade brasileira", afirmou o professor.