Microplásticos são encontrados em placenta e cordão umbilical de gestantes do SUS

Estudo identificou partículas plásticas em tecidos de gestantes; presença no cordão umbilical preocupa cientistas.

Pesquisadores encontraram microplásticos em placentas e cordões umbilicais de gestantes atendidas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) em Alagoas.

A descoberta integra um estudo divulgado na última semana, conduzido pelo professor Alexandre Borbely, do Instituto de Ciências Biológicas e da Saúde da Universidade Federal de Alagoas (UFAL), e acende um alerta sobre a exposição de partículas em uma fase crítica do desenvolvimento fetal.

Foram identificados 110 microplásticos nos tecidos da placenta e 119 no cordão umbilical. Em oito dos casos comprovados, a quantidade no cordão foi superior à encontrada na placenta. Segundo Borbely, a placenta age como uma "barreira" contra agentes externos, enquanto o cordão umbilical transporta nutrientes ao feto.

"O que a gente esperava era que essas partículas ou fossem em pequena quantidade [para o cordão umbilical] ou não fossem", afirma o pesquisador.

O polietileno, usado em sacolas plásticas e embalagens, foi o tipo mais comumente encontrado em amostras, presente em 29 casos. Em seguida vieram o poliuretano (19), a poliamida (17) e o polietileno acetato de vinila (13). A predominância do polietileno em Alagoas pode estar relacionada à poluição marinha, já que é um dos plásticos mais presentes no litoral do estado.

O estudo também detectou uma grande presença de plásticos transparentes e com menos aditivos. "Não sabemos ainda exatamente o porquê, mas parece que esses microplásticos estão num estágio de manipulação maior do que aqueles que a gente vê na Europa, por exemplo", afirmou Borbely.

Em comparação internacional, o pesquisador destaca que, enquanto no Brasil e na China o polietileno é predominante, na Europa são mais comuns o polipropileno e o poliestireno. Ele atribui essa diferença ao estilo de vida e ao ambiente de cada população, mas ressalta que faltam estudos em outras regiões.

Apesar dos achados, a pesquisa tem limitações. A amostra foi composta por apenas dez mulheres. O professor Thiago Lopes Rocha, da Universidade Federal de Goiás, considera o estudo pioneiro, mas defende que novos levantamentos sejam realizados. "Vale a pena reforçar a importância de mais pesquisas sobre o tema, especialmente em diferentes regiões do Brasil", pontua.

Ainda são escassos os estudos sobre os efeitos dos microplásticos no organismo humano. Testes com células animais indicam que essas partículas podem causar alterações metabólicas, inflamações e alterações nos efeitos cardíacos .