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China critica EUA por impor restrições comerciais a países que negociam com Rússia

Segundo o representante permanente adjunto na ONU, manter relações comerciais com Moscou não configura violação do direito internacional, uma vez que não há sanções impostas pelas Nações Unidas.
China critica EUA por impor restrições comerciais a países que negociam com RússiaMichael M. Santiago / Gettyimages.ru

Os Estados Unidos estão seguindo o mesmo duplo padrão que outros países têm com a Rússia em suas relações econômicas, proibindo-os de negociar com Moscou, mesmo que não esteja sob sanções, disse o representante permanente adjunto da China na ONU, Geng Shuang, nesta quinta-feira (31).

Durante uma reunião do Conselho de Segurança das Nações Unidas, o alto funcionário se dirigiu ao representante dos EUA para responder a novas acusações feitas contra Pequim.

"O representante dos EUA voltou a propagar uma narrativa caluniosa e falsa contra a China, o que é totalmente inaceitável", afirmou, acrescentando que se viu obrigado a comentar novamente para esclarecer a situação.

"A China não iniciou a crise ucraniana e não faz parte dela. A China nunca forneceu armas a nenhuma das partes no conflito e controlamos rigorosamente a exportação de itens de dupla utilização, incluindo drones", reiterou.

Na mesma linha, ele lembrou que as partes em conflito não estão sob as sanções do Conselho. Portanto, manter relações comerciais com Moscou não constitui uma violação do direito internacional.

"Na verdade, os EUA mantiveram suas atividades econômicas e comerciais com a Rússia até agora. Por que, se eles estão fazendo isso, não permitem que outros também o façam?", questionou.

"Então, alguns podem incendiar casas e outros nem sequer podem acender uma lâmpada. Essa é a lógica", complementou o diplomata.

Ao mesmo tempo, ele acrescentou que não é Pequim, mas Washington, que deveria se sentir desconfortável e "em desacordo com o restante dos membros aqui presentes na busca por uma resolução da crise na Ucrânia".

"É injusto que os Estados Unidos esperem que a China encerre a guerra o mais rápido possível, enquanto continuam a recorrer às suas técnicas de difamação e pressão contra a China. Instamos os Estados Unidos a pôr fim a esse jogo de acusações sem sentido. Pedimos que desempenhem o papel mais construtivo para alcançar o fim dos combates por meio de negociações de paz", afirmou Shuang.