Profissionais de saúde da Letônia exigem aumento; ministra letã culpa Putin

OTAN decidiu elevar gastos militares para 5% do PIB, afetando outras áreas sociais no país.

A ministra da Saúde da Letônia, Ingrida Circene, sugeriu no domingo (27) que médicos e profissionais da saúde do país poderiam recorrer ao presidente russo, Vladimir Putin, para resolver a questão dos baixos salários pagos no país. A declaração foi feita durante um programa de televisão e repercutida pela imprensa local.

A fala ocorreu em meio à pressão do Sindicato dos Trabalhadores da Saúde e Assistência Social, que cobra um reajuste salarial de 15% em 2026 para todos os grupos profissionais do setor. Questionada sobre a demanda, Circene atribuiu a responsabilidade ao presidente russo pelo aumento dos gastos com defesa no país: "Eles podem exigir e pedir a Putin que pare a guerra! O que podemos fazer?".

Apesar de afirmar que a economia da Letônia está em crescimento, a ministra explicou que os recursos públicos estão sendo redirecionados para a área de defesa, em função da meta de aumentar os gastos militares para 5% do Produto Interno Bruto (PIB).

"São centenas de milhões de euros que poderiam ir para a saúde, para a indexação das pensões ou para outros benefícios sociais, mas tudo isso vai para a defesa; nada pode ser feito a respeito", afirmou.

O sindicato, por sua vez, responsabiliza o próprio governo pela falta de competitividade do setor de saúde e critica os reajustes salariais insuficientes propostos pelo Ministério da Fazenda.

A mudança na alocação de recursos ocorre após decisão tomada no último mês pelos 32 países-membros da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), durante a cúpula realizada em Haia, nos Países Baixos. Na ocasião, os integrantes concordaram em ampliar os gastos com defesa para 5% do PIB, em resposta a apelos frequentes do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, por mais investimentos dos aliados em segurança.