Enviado especial dos EUA visitará Gaza em meio à mudança de postura de Trump

Steve Witkoff está em Israel, e irá nesta sexta-feira (1) ao enclave palestino para avaliar a crise humanitária na região.

O enviado especial dos EUA, Steve Witkoff, que se encontra em Israel, visitará a Faixa de Gaza nesta sexta-feira (1) para avaliar a crise humanitária na região, segundo informou a Casa Branca nesta quinta-feira (31). A visita ocorre em meio à mudança da postura do governo Donald Trump sobre a atuação israelense no enclave palestino.

"Amanhã, o enviado especial Witkoff e o embaixador [dos EUA em Israel, Mike] Hackabee irão viajar para Gaza, para inspecionar os atuais centros de distribuição, e assegurar um plano para fornecer mais comida e encontrar com locais para ouvir em primeira mão sobre a situação terrível no local", declarou a porta-voz Karoline Leavitt.

Ela também afirmou que a reunião de Witkoff com o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, foi "produtiva", tendo abordado o envio de comida e ajuda humanitária ao território palestino.

Anteriormente, contudo, a imprensa norte-americana, citando dois funcionários da Casa Branca, reportou que o presidente Donald Trump endureceu sua retórica contra Tel Aviv, tendo "rompido abertamente" com Netanyahu após ver imagens de crianças famintas em Gaza.

Um deles assegurou ao veículo que Trump disse aos seus assessores que queria falar do tema com Netanyahu - que nega a existência de fome em Gaza -, por ter "ficado profundamente chocado" pelas cenas da crise humanitária na região. O presidente viu as imagens na véspera de sua ida à Escócia no último final de semana, onde assinou um acordo comercial controverso com a União Europeia e visitou campos de golf. "Já estava com isso em mente antes de ir", assegurou um dos funcionários anônimos.

Além disso, as fontes acrescentaram que a primeira-dama Melania Trump foi "particularmente afetada" pelas imagens de crianças palestinas sofrendo, o que influenciou a mudança da retórica do presidente. O próprio Trump admitiu à imprensa, na última quarta-feira, o papel-chave de sua esposa no assunto, durante seu voo de volta a Washington.

"Acho que todo mundo — a menos que tenha um coração muito frio ou, pior ainda, que seja louco — não pode dizer outra coisa senão 'é terrível' quando vê as crianças [de Gaza] [...] que estão morrendo de fome", declarou aos jornalistas. "É preciso dar-lhes comida — e nós vamos dar-lhes comida", prometeu.