As nebulosas ligações entre a Ucrânia e os sangrentos cartéis mexicanos e colombianos

Uma investigação jornalística aponta que a Ucrânia teria começado a investigar, a pedido da inteligência mexicana, a presença de membros dos cartéis de drogas do México e de grupos armados colombianos em uma unidade militar estrangeira onde recebem treinamento avançado em operações com drones FPV.
Segundo reportagem do veículo francês Intelligence Online, o Centro Nacional de Inteligência (CNI) do México teria enviado um memorando confidencial à contrainteligência ucraniana (SBU) alertando sobre voluntários mexicanos suspeitos de se juntarem à Legião Internacional de Defesa da Ucrânia para obter experiência tática com drones.
De acordo com o documento, o SBU, em conjunto com a Diretoria Principal de Inteligência da Ucrânia (GUR), abriu investigação para apurar se integrantes do narcotráfico colombiano e dos cartéis mexicanos ingressaram no segundo esquadrão da Legião Internacional do GUR, incluindo o Grupo Tático Ethos, uma unidade semiclandestina que atua nas regiões de Donbass e Kharkov.

"Centro global de treinamento com drones"
O documento descreve Kiev como um "centro global de treinamento tático em guerra com drones", destacando seu trabalho na fabricação artesanal dos veículos, calibração para voo estável, camuflagem térmica, técnicas para neutralizar sinais e voo em baixa altitude.
Em academias vinculadas à Terceira Brigada de Assalto de Azov, à Legião de Voluntários Estrangeiros e centros tecnológicos da GUR, os serviços de segurança ucranianos teriam identificado "anomalias", revelando o interesse de mexicanos e colombianos por esse tipo de capacitação.
Entre eles, destaca-se um voluntário mexicano conhecido como "Aguila-7", registrado em 2024 com identidade salvadorenha. Segundo a inteligência ucraniana, ele pertenceu ao Corpo de Forças Especiais do Exército Mexicano, suspeito de formar membros fundadores do Cartel de Los Zetas.
Pelo menos três ex-integrantes das extintas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) também teriam sido treinados no local, segundo a reportagem.
Mercenários
Durante o conflito entre Rússia e Ucrânia, latino-americanos chegaram ao país europeu contratados por empresas de segurança privadas, que prometem aumento de renda.
A investigação cita o Grupo Roka Seguridad e a Protección Miranda Maya, do México, supostamente responsáveis por contratações irregulares que permitiriam a indivíduos com antecedentes criminais integrarem as forças ucranianas, além de operações de tráfico de armas pequenas.
Também são mencionadas empresas colombianas como a Segurcol SAS, com escritórios em Cali e Medellín, que teriam recrutado ex-militares para atuação em Kiev, denúncia já feita pelo presidente Gustavo Petro.
Essas companhias estariam "diretamente ligadas às redes logísticas do narcotráfico, facilitando financiamento, legalização de viagens e até fornecimento de passaportes falsos e vistos humanitários", com rotas passando por cidades europeias como Madri, Bucareste, Katowice e Przemsyl.
O "jogo" de matar
Autoridades americanas informaram que cartéis mexicanos usam drones adaptados para traficar drogas, alertando para possível uso desses dispositivos em ataques dentro dos EUA.
Desde fevereiro de 2022, 155 mil voos de drones foram detectados na fronteira, empregados pelos cartéis para monitorar operações ilegais.
Um ex-integrante do Cartel Nova Geração de Jalisco (CJNG), em entrevista ao YouTuber Gafe423, afirmou pertencer a um grupo que utilizava drones para lançar explosivos, treinado pela organização para plantar bombas nos aparelhos.
Questionado sobre ter matado alguém com drones, ele disse que não consegue identificar pelas imagens, mas afirmou: "Você não sente nada; é como um jogo 'Call of Duty', só que você mata alguém", acrescentando risadas.
