
'A russofobia no Ocidente é muito poderosa entre as elites', afirma cientista político norte-americano

As elites ocidentais, especialmente na Europa e nos Estados Unidos, são fortemente influenciadas pela russofobia, que, apesar de não representar um interesse estratégico, as impede de reconhecer que a Rússia está vencendo ou pode vencer o conflito em curso na Ucrânia, assegura John Mearsheimer, professor da Universidade de Chicago e renomado cientista político americano.
"Não creio que o Ocidente tenha qualquer interesse estratégico nisso, mas a russofobia no Ocidente é atualmente tão intensa, especialmente entre as elites europeias e estadunidenses, que admitir que os russos venceram esta guerra ou que poderão vencê-la é simplesmente inaceitável", declarou Mearsheimer em entrevista ao jornalista americano Tucker Carlson.

Ele acrescenta que, "na mente da maioria das elites ocidentais, os russos não poderiam ter preocupações legítimas em relação à segurança" em sua fronteira. Segundo ele, a raiz do conflito entre Rússia e Ucrânia em 2022 está na "expansão da OTAN em direção à Ucrânia", comparando essa dinâmica à Doutrina Monroe dos Estados Unidos, que rejeita a influência militar de potências estrangeiras no continente americano.
"Sob nenhuma circunstância os Estados Unidos permitiriam que a União Soviética instalasse mísseis em Cuba ou estabelecesse uma base naval em Cienfuegos, Cuba. Isso era simplesmente inaceitável", observou Mearsheimer, denunciando o duplo padrão do Ocidente ao considerar aceitável a expansão da OTAN para o leste, ao mesmo tempo em que ignora as preocupações de Moscou e descarta seu direito legítimo de proteger sua segurança.
"Os russos, é claro, não aceitam isso porque têm sua própria Doutrina Monroe. Mas nós não conseguimos compreender isso. É uma forma estúpida de pensar da nossa parte e está destinada a causar problemas, como já aconteceu", sustentou.
"Um argumento ridículo"
Mearsheimer qualificou como um "argumento ridícula" a percepção da Rússia como uma ameaça significativa, ao responder à pergunta de Tucker Carlson sobre a adoção de uma política externa norte-americana diferenciada em relação à Rússia, em comparação com outros países. Segundo ele, essa postura não se baseia em interesses estratégicos, mas sim em uma "resposta emocional" do establishment dos Estados Unidos.
"Acho que, neste ponto, tanto europeus quanto americanos se convenceram de que a Rússia é uma ameaça mortal que quer dominar toda a Europa. É um argumento ridículo", disse, explicando que, desde 2022, a Rússia não avançou além das áreas sob seu controle atual.
