A Terra girou mais rápido que o normal nos últimos meses, e isso pode causar mais impacto do que se imagina. No dia 9 de julho, o planeta completou sua rotação 1,3 milissegundo antes do previsto. Para 5 de agosto, a previsão é de 1,52 milissegundo de encurtamento.
Variações tão pequenas são monitoradas com extrema precisão porque afetam diretamente tecnologias que dependem do tempo exato, como GPS, internet, redes de telecomunicação e até operações espaciais. "Em um milissegundo, um sinal de fibra óptica pode percorrer 300 quilômetros", explicam os cientistas.
A precisão é essencial para manter a sincronia desses sistemas com o chamado tempo atômico. Quando necessário, são aplicados os chamados "segundos intercalares" ao Tempo Universal Coordenado (UTC), garantindo que ele permaneça alinhado com a rotação da Terra.
Desde 2020, pesquisadores observam um movimento incomum: uma leve aceleração no giro do planeta, ao contrário do esperado ao longo dos séculos. Fatores como mudanças no núcleo da Terra, variações climáticas, terremotos e até a extração de água subterrânea influenciam o fenômeno.
Em 2011, por exemplo, o terremoto no Japão encurtou o dia em 1,8 microssegundo e deslocou a ilha principal em mais de dois metros. Situações assim exigem respostas rápidas da ciência para evitar falhas em sistemas sincronizados mundialmente.
Embora imperceptível no cotidiano, um milissegundo fora do lugar pode interferir no trajeto de uma nave ou na localização de um carro via GPS. Por isso, a rotação da Terra continua sendo acompanhada com milimétrica atenção e precisão de milissegundos.