ONU alerta para agravamento da crise de fome na África

Projeções indicam que quase 60% das pessoas que podem sofrer de desnutrição crônica até 2030 estarão no continente.

A ONU alertou para o agravamento da crise de fome na África, com suas estimativas mais recentes sobre insegurança alimentar sugerindo que mais de 1 bilhão de pessoas, ou cerca de dois terços da população do continente, não teriam condições de ter uma dieta saudável em 2024.

A organização anunciou as conclusões em seu relatório, divulgado na segunda-feira (28).

Compilado pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), Fundo Internacional para o Desenvolvimento Agrícola (FIDA), Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), Programa Mundial de Alimentos (PMA) e Organização Mundial da Saúde (OMS), o relatório analisou as tendências globais nos esforços para acabar com a fome, a insegurança alimentar e a desnutrição.

De acordo com o relatório, estima-se que 8,2% da população global, ou cerca de 673 milhões de pessoas, passaram fome em 2024, comparando com os 8,5% em 2023 e 8,7% em 2022, em contraste com o aumento dos níveis de fome registrados na maior parte da África e da Ásia Ocidental.

"A proporção da população que enfrenta fome na África ultrapassou 20% em 2024, afetando 307 milhões de pessoas", afirmou a organização. 

Projeções lamentáveis

Projeções indicam que quase 60% das pessoas que podem sofrer de desnutrição crônica até 2030 estarão na África. 

"A fome continua em níveis alarmantes, mas o financiamento necessário para combatê-la está diminuindo... Este ano, cortes de financiamento de até 40% significam que dezenas de milhões de pessoas perderão a ajuda vital que fornecemos", disse a diretora executiva do Programa Alimentar Mundial, Cindy McCain.

McCain alertou que a falha em entregar ajuda essencial às pessoas em "necessidade desesperada" poderia anular o progresso duramente conquistado e desencadear ainda mais instabilidade em regiões voláteis.