Desde o primeiro contato com não indígenas em 1996, a comunidade korubo, no Brasil, passou a incorporar gradualmente elementos do mundo exterior, incluindo avanços tecnológicos.
A transformação foi registrada em reportagens do The Guardian e d'O Globo, que acompanharam o cotidiano do grupo, hoje dividido em quatro aldeias no vale do Javari. Ao menos uma delas permanece em isolamento voluntário.
Primeiros contatos e busca por atendimento médico
Antes do contato formalizado pela Fundação Nacional do Índio (Funai), os korubo reagiram com violência à presença de invasores. "Estávamos em nossa casa comunal, e os brancos chegaram e mataram muitos membros da minha família, nossos anciãos. Por isso, buscamos vingança matando os pescadores", relatou Xuxu, membro da tribo.
Xuxu também relatou que procurou atendimento médico no município de Tabatinga após ser picado por uma cobra. A partir disso, os pedidos de assistência de saúde cresceram com o objetivo de evitar o deslocamento à cidade.
"Não gostamos de estar aqui, na cidade. A gente vem até aqui da aldeia e às vezes pegamos outra doença", disse Takvan, filho da matriarca Mayá. Segundo ele, a comunidade solicitou à Secretaria de Saúde Indígena a instalação de um posto com médico fixo.
Interesse por tecnologia e mudanças no modo de vida
Com o tempo, a Funai passou a regular o envio de objetos como baterias, lanternas, facões, machados, pedras de amolar e sabão.
O contato também levou à circulação de dinheiro entre os korubo, que passaram a adquirir celulares, embarcações e alimentos industrializados, como macarrão, biscoitos e arroz.
Agora, querem ampliar o acesso à tecnologia com a instalação de painéis solares para iluminação, recarga de aparelhos e manutenção da conexão com a internet, já presente em duas aldeias. "Queremos Starlink", afirmaram.
Diante da mudança, o ex-presidente da Funai, Sydney Possuelo, afirmou: "Eles caem na dependência daqueles que antes os mataram, caçaram, tomaram suas terras, roubaram suas mulheres, que fizeram de tudo. Essas são as mesmas pessoas que agora estão no comando de suas vidas."