O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, declarou nesta terça-feira (29) que Pequim não cedeu à pressão de Washington sobre suas compras de petróleo russo.
"Os chineses levam sua soberania muito a sério. Não queremos impedi-la, e é por isso que eles gostariam de pagar 100% da tarifa", anunciou Bessent em conferência de imprensa. "Acredito que qualquer um que compre petróleo russo sancionado deve estar preparado para isso", acrescentou.
Além disso, o funcionário de alto escalão indicou que a recente reunião com os negociadores chineses em Estocolmo foi bem-sucedida. "Tivemos dois dias muito produtivos com a delegação chinesa", disse.
"Recebemos um relatório muito detalhado sobre a economia chinesa. Apresentamos um relatório muito detalhado sobre a economia americana. Conversamos sobre os acordos comerciais que estamos fechando com outros países. Manifestamos nossas preocupações com o excesso de capacidade chinesa em nível mundial e suas possíveis consequências para este ano e os próximos", detalhou Bessent.
"Expressamos nossa preocupação com suas compras de petróleo iraniano sancionado, do qual compram aproximadamente 90%. Também lamentamos que, segundo acreditamos, tenham vendido à Rússia cerca de US$ 15 bilhões em tecnologias de dupla utilização. No entanto, o tom geral das reuniões foi muito construtivo”, resumiu.
Em meados deste mês, o presidente dos EUA ameaçou o presidente russo, Vladimir Putin, com a imposição de sanções secundárias de 100% aos países que compram produtos russos se um acordo para o conflito na Ucrânia não fosse alcançado em 50 dias. Na última segunda-feira (28), contudo, Trump mudou de posição e encurtou o prazo de seu ultimato para cerca de "10 a 12 dias" contando a partir de hoje. ''Não há razão para esperar", disparou.
Por sua parte, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Lin Jian, afirmou que, em guerras tarifárias, nunca há vencedores e sanções unilaterais não resolvem conflitos.
"A China se opõe firmemente a qualquer sanção unilateral ilegal e à jurisdição de braço longo", disse, reforçando que "coerção e pressão" não trarão solução ao impasse.
QUAIS SÃO AS GUERRAS COMERCIAIS DA ERA TRUMP E SEUS OBJETIVOS? SAIBA MAIS EM NOSSO ARTIGO.