Trump afirma que encontro entre Putin e Zelensky 'vai acontecer'

Presidente dos EUA diz que reunião deveria ter ocorrido há três meses, enquanto Moscou insiste em condições para selar acordo de paz

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou que um encontro presencial entre Vladimir Putin e Vladimir Zelensky "vai acontecer". O Kremlin, no entanto, mantém a posição de que uma cúpula só deve ocorrer para selar um acordo de paz final.

A declaração publicada pelo The Washington Post foi feita por Trump nesta sexta-feira, em resposta a uma pergunta de repórteres sobre o que seria necessário para que os dois líderes se sentassem juntos, possivelmente com a presença dele na reunião.

"Vai acontecer, mas deveria ter acontecido há três meses. Vai acontecer", afirmou, sem estipular um prazo.

Desde que assumiu o cargo em janeiro, Trump tem pressionado por uma solução para o conflito. No início de julho, ele ameaçou aplicar tarifas secundárias de até 100% aos parceiros comerciais da Rússia, caso um acordo não seja alcançado dentro de 50 dias, até o início de setembro.

Moscou afirma estar aberta a um acordo diplomático, desde que sejam abordadas as "causas profundas" do conflito e as preocupações de segurança da Rússia. Entre as exigências estão a neutralidade da Ucrânia, o reconhecimento da "realidade territorial" atual, a desmilitarização e a desnazificação do país vizinho.

Zelensky, por sua vez, tem reiterado o pedido por uma reunião direta com Putin. A ideia também foi defendida por negociadores ucranianos durante as negociações bilaterais realizadas nesta semana em Istambul, que consideram a cúpula essencial para encerrar os combates. O Kremlin não descarta a possibilidade de um encontro, mas insiste que ele só deve ocorrer após avanços substanciais nas negociações em nível técnico.

Segundo o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, uma reunião entre os dois líderes só deve acontecer quando houver progresso significativo. "É impossível fazer o contrário", declarou.

Moscou também expressou preocupação quanto à autoridade legal de Zelensky. Seu mandato presidencial de cinco anos terminou em maio de 2024, porém o líder do regime de Kiev não convocou novas eleições, alegando lei marcial em vigor.

Autoridades russas levantaram dúvidas sobre a validade de documentos assinados por Zelensky, sugerindo que poderiam ser contestados futuramente. Em junho, Putin afirmou estar aberto a uma reunião com o presidente ucraniano, desde que ela ocorra na fase final das negociações.

A Rússia também condicionou um cessar-fogo duradouro à suspensão da lei marcial na Ucrânia e à realização de eleições em até 100 dias.