
Venezuela pede a criação de uma frente internacional para defender a paz

A Venezuela propôs a formação de uma frente unificada, composta por organizações e movimentos sociais comprometidos com a construção e a defesa da paz. A iniciativa surge como resposta às ações de atores internacionais que, segundo o governo venezuelano, operam com motivações imperialistas e promovem a instabilidade global em detrimento do diálogo e da soberania dos povos.
"Temos que criar uma grande frente que nos permita organizar, enfrentar e vencer essa batalha [...]. Temos o diagnóstico, temos a realidade diante de nós, a vivemos constantemente, a analisamos, a estudamos, somos protagonistas em muitos casos dela. [...]. Não estamos apenas resistindo, devemos partir para a ofensiva", disse o ministro das Relações Exteriores da Venezuela, Yván Gil, na Cúpula dos Povos pela Paz e Contra a Guerra, que está sendo realizada esta semana em Caracas.
Nesse sentido, ele considerou imperativo acelerar "a marcha na organização de todos os movimentos sociais e políticos, das diferentes correntes revolucionárias e progressistas, dos defensores do meio ambiente, dos direitos das mulheres, dos direitos dos migrantes, dos direitos dos diferentes coletivos, das minorias, de todas as comunidades".

Gil destacou que a proposta do presidente venezuelano Nicolás Maduro de realizar uma cúpula em defesa da paz e dos direitos do povo palestino — e de "todos os povos do mundo serem livres e soberanos" — depende também do engajamento de movimentos e organizações identificados com a esquerda, o progressismo e a inclusão. Segundo ele, esses setores da sociedade civil já demonstraram, em diversos momentos históricos, capacidade de alcançar conquistas significativas onde os governos não conseguiram avançar.
Nesse contexto, Gil pediu que se recordasse o papel fundamental dos "movimentos sociais da América Latina" na articulação que levou ao fracasso da proposta norte-americana do Acordo de Livre Comércio das Américas (ALCA), nos anos 2000. Segundo ele, esse exemplo ilustra como a mobilização popular pode conter iniciativas de cunho imperialista e reafirma a importância de uma frente ampla e organizada na defesa da soberania e da paz.
"Não foram os governos que derrotaram a ALCA. A origem veio do chamado feito por grandes líderes como Hugo Chávez, como Fidel Castro, que conclamaram os povos do mundo a se mobilizarem", após o que outras iniciativas benéficas, como a Aliança Bolivariana para os Povos da Nossa América (ALBA), viram a luz do dia, disse ele. "Vamos evocar esse espírito, porque nós temos a força", acrescentou.
