A Casa Branca autorizou a Chevron, uma das maiores petrolíferas dos Estados Unidos, a retomar a extração de petróleo bruto na Venezuela, informou o Wall Street Journal nesta quinta-feira (24), citando fontes próximas às negociações.
Os termos do acordo não foram detalhados, mas a decisão ocorre após conversas que resultaram na libertação de dez cidadãos norte-americanos detidos no país sul-americano. As fontes indicaram ainda que o governo venezuelano não receberá royalties nem impostos pela produção.
As autoridades dos EUA não comentaram a publicação. Em nota, a Chevron declarou que "conduz suas atividades comerciais globalmente em conformidade com as leis e regulamentos aplicáveis, incluindo as sanções impostas pelo governo dos EUA, inclusive na Venezuela".
O presidente venezuelano, Nicolás Maduro, confirmou o retorno da empresa às operações no país.
Revogação da licença
Em fevereiro, o governo Trump revogou a licença da Chevron para operar na Venezuela — autorização concedida sob a gestão de Joe Biden. Não está claro de que forma a retomada da produção e dos embarques ocorreria sem o pagamento de tributos.
Em abril, a estatal Petróleos de Venezuela S.A. (PDVSA) exigiu que a Chevron devolvesse quase 1 milhão de barris de petróleo, alegando "impossibilidade e restrições" para transferir recursos ao governo, segundo a Bloomberg.
Dados da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) apontam que a produção venezuelana permaneceu entre 900 mil e 1 milhão de barris por dia em junho, após o recuo das empresas norte-americanas. Analistas afirmam que, para compensar, Caracas passou a redirecionar parte do petróleo para centros de transbordo como a Malásia, antes de exportar à China — apesar da ameaça de Washington, em abril, de impor tarifas de 25% aos países que comprarem o produto venezuelano.
Entenda porque a OPEP decide o preço do petróleo no mundo (e o que isso tem a ver com você) em nosso artigo.