Retorno da Rússia ao xadrez gera reclamações europeias

A Federação Internacional de Xadrez teria revertido as sanções e permitirá que a equipe feminina russa compita em 2025 sob uma bandeira neutra.

Conforme comunicado na quarta-feira (23), a União Europeia de Xadrez (UEC) contestou a decisão da Federação Internacional de Xadrez (FIDE) de reintegrar a equipe feminina russa sob uma bandeira neutra no Campeonato Mundial de Equipes de 2025, na Espanha, em novembro. A UEC argumenta que a medida contraria as diretrizes de sanções aprovadas na Assembleia Geral do esporte em 2024, em Budapeste.

Embora isenções tenham sido concedidas para "grupos vulneráveis", como jogadores menores de idade e pessoas com deficiência, a UEC afirmou que elas não se aplicam a equipes nacionais completas.

A FIDE baniu a Rússia e Belarus de torneios por equipes em março de 2022, após a escalada do conflito na Ucrânia, mas permitiu que jogadoras de ambos os países competissem individualmente sob status neutro. A recente medida marca uma mudança de política, com a FIDE confirmando que uma equipe feminina russa poderá jogar no próximo campeonato em Linares sob a bandeira da FIDE e sem símbolos nacionais.

"Esta decisão contradiz diretamente as decisões mais recentes da Assembleia Geral da FIDE, tomada em Budapeste", afirmou a entidade europeia de xadrez.

A UEC, que representa 54 federações nacionais, instou a FIDE a manter as sanções, alegando que as circunstâncias que motivaram as medidas em 2022 não haviam mudado e que a participação das equipes deveria permanecer suspensa até que as questões fossem "totalmente resolvidas".

A FIDE afirmou que sua decisão está alinhada às orientações do Comitê Olímpico Internacional (COI), reflete as medidas de outras federações esportivas, baseia-se em um precedente de janeiro de 2025 que permite equipes neutras de grupos vulneráveis e permanece condicionada a uma carta de não objeção do COI.

Respondendo às críticas, o diretor executivo da Federação Russa de Xadrez, Aleksandr Tkachev, considerou a reação previsível e afirmou que reafirmava a transferência da Rússia para a Federação Asiática de Xadrez, onde "tais questões não surgem" e o princípio de manter a política fora do esporte é mantido.

Ele argumentou que a reação reflete as opiniões de "uma minoria de autoridades europeias", não de jogadores, que continuam a competir com os russos individualmente.

Autoridades russas acusaram nações ocidentais de politizar o esporte e pressionar federações a excluírem atletas russos. Moscou também alegou que a Ucrânia e seus patrocinadores influenciaram as decisões da FIDE.